Cubanos vão poder consumir produtos norte-americanos neste natal

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Publicado terça-feira, 23 de dezembro de 2003 as 17:29, por: cdb

Os cubanos se preparam para comemorar o Natal sem muito alvoroço, com a “novidade” de ter em suas mesas produtos americanos a preços subvencionados e com 45º aniversário da Revolução como cenário de fundo.

A comemoração do Natal em Cuba foi autorizada oficialmente pelo governo de Fidel Castro em 1997, depois de 28 anos de proibição, como um gesto pela proximidade da viagem do Papa João Paulo II, que visitou a ilha em janeiro de 1998.

Este ano, nas ruas de Havana não se aprecia o tradicional ambiente festivo que reina nestas datas em outras capitais do mundo, apesar do caráter aberto dos cubanos desta vez parecem mais propensos ao resguardo do lar que às comemorações.

Embora as ruas havanesas não se tenham sido decoradas com as típicas luzes natalinas, salvo algumas turísticas áreas de Havana Velha, os cubanos enfeitaram suas casas com luzes coloridas e árvores e se preparam para a comemoração.

Há semanas que as lojas, sobretudo as que vendem em dólares, estão abarrotadas de gente que procura provisões para estas festas e não quer correr o risco de deixar as compras dos presentes para o último momento.

As vendas de produtos típicos de Natal e bebidas alcoólicas -principalmente rum, vinhos e cerveja- se duplicaram, segundo comentou à EFE a funcionária de um conhecido supermercado de venda em dólares.

Os estabelecimentos nos que se paga em dólares foram abertos em 1994 para arrecadar divisas, em grande parte procedentes das remessas enviadas por cubanos residentes no estrangeiro (calculadas entre os 800 e 1 bilhões de dólares anuais).

Guirlandas, enfeites e árvores de Natal de plástico, cujos preços oscilam entre 3 e 60 dólares, foram os artigos natalinos mais procurados pelos cubanos.

Os presépios são muito mais difíceis de encontrar este ano, embora os postos de venda a turistas de Havana Velha ofereçam alguns em papel marchê a preços muito altos para o cubano, que cobra um salário médio de entre 10 e 15 dólares mensais, segundo estatísticas oficiais.

As famílias cubanas gostam mais destas festas pela possibilidade de reunir-se, algo muito tradicional entre os ilhéus, que pela conotação religiosa destas datas.

Para a véspera de Natal, os cubanos preparam um de seus pratos mais tradicionais, o leitão, acompanhado com arroz e feijão preto), mandioca com molho e muita salada.

Nestas festas, as famílias da ilha poderão degustar uma grande variedade de produtos americanos, comprados a criadores de gado e agricultores americanos nos últimos meses pela empresa cubana Alimport.

Azeite, pão, grãos, frango, ervilhas e arroz são alguns dos produtos americanos que poderão degustar este Natal os cubanos, a preços subvencionados em moeda nacional (pesos cubanos), segundo explicou recentemente o presidente da Alimport, Pedro Alvarez.

Além disso, segundo Álvarez, Cuba comprou aos EUA para o fim de ano maçãs, pêras, uvas, vinhos, conserva de frutas e vegetais, e produtos secos, para vendê-los nas lojas de dólares.

Apesar do embargo imposto pelos Estados Unidos contra a ilha há mais de quatro décadas, Washington autorizou as vendas à vista de produtos de criadores de gado e agrícolas a Cuba em dezembro de 2001, depois da passagem do furacão Michelle.

Desde então, Cuba se comprometeu à compra de produtos por cerca de 600 milhões de dólares, grande parte deles no último ano.

Depois do jantar e as festas da véspera de Natal, os cubanos se prepararão, para o dia 1 de janeiro, para comemorar o 45º aniversário do triunfo da revolução liderada por Castro.

A festa será longa porque, por causa da efemérides, o governo cubano declarou feriado os dias 2 e 3 de janeiro.