Cuba tenta evitar manobra dos EUA na ONU

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Publicado terça-feira, 18 de março de 2003 as 21:46, por: cdb

Cuba se dispõe a liberar outra guerra política no seio da Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), com sede em Genebra, Suíça, convencida de que os Estados Unidos voltaram a mover, este ano, todas as suas peças, com o propósito de conseguirem condenar a Ilha por supostas violações aos direitos humanos.

Em coletiva de imprensa, em Havana, antes de partir à Suíça, onde participará das sessões da Comissão no Palácio genebrino das Nações Unidas, o chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, deixou claro que seu país nunca aceitará esse tipo de condenação por considerá-la como uma ação de força compulsada pelos norte-americanos.

O ministro disse a jornalistas em Havana que a administração do presidente norte-americano, George W. Bush, quer justificar o bloqueio a partir desse tipo de moções anticubanas.

Os Estados Unidos têm aplicado o bloqueio por quatro décadas, mas é, atualmente, quando a medida está sob fogo político cerrado de amplos setores empresariais, políticos, culturais e da opinião pública estadunidenses, convencida de que o também chamado embargo, além de não haver cumprido seus propósitos de desestabilizar o sistema socialista em Cuba, é injusto não só para os cubanos, como também para os cidadãos norte-americanos.

As leis de embargo proíbem aos norte-americanos não só comercializar com Cuba amplamente e em condições normais, mas proíbem rigorosamente e, sob ameaça de multas e penas de encarceramento, as viagens destes à Ilha do Caribe.

Para se opor ao intento, que estima seguro, dos Estados Unidos de voltar a condená-la em Genebra, a partir de qualquer procedimento diplomático – incluindo as pressões econômicas, se é que estas podem estar nessa nomenclatura – Cuba lançou um documento de mais de 40 páginas, no qual inclui uma denúncia histórica do comportamento de Washington com o país caribenho e explica as verdadeiras razões desse governo para desenvolver esse tipo de manobras.

A versão cubana é que o bloqueio está totalmente desacreditado, mas Bush deseja mantê-lo contra o vento e a maré. Outra condenação a Cuba por supostas violações de direitos humanos seria utilizada para tratar de justificar essa ação.

Por sua parte, e fortalecendo as preocupações da Ilha, a imprensa de Miami, Flórida – onde reside a maioria dos cubano-americanos nos Estados Unidos – anunciou que um grupo de anticastristas viajará a Genebra “para denunciar as violações do regime de Fidel Castro em um fórum internacional alternativo à 59ª Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, que abriu ontem (segunda) suas sessões nessa cidade Suíça”.

Ao que parece, a principal preocupação do “exílio” cubano-americano não é estabelecer suas acusações contra Cuba, mas a estrutura da própria comissão genebrina.

”Governos não democráticos estão controlando, há anos, a Comissão e nesta ocasião chegou a presidi-la a Líbia, um país acusado por sistemáticas violações aos direitos humanos”, declarou ao citado jornal de Miami, Luis Zúñiga, membro da junta diretiva do Conselho pela Liberdade de Cuba (CLC), que é descrito como “um veterano das reuniões de Genebra”.

A “agenda de atividades” dos representantes que irão a Genebra dos cubano-americanos mais extremistas anuncia “reuniões com representantes de organismos não governamentais e delegados de países membros da Comissão, uma manifestação pública onde se mostrarão imagens dos prisioneiros de consciência e a exibição do vídeo Sem Direitos, que mostra as arbitrariedades e crimes do regime castrista desde 1959 até a atualidade”, segundo o Novo Herald.

A “agenda” está em completa consonância com os objetivos da administração Bush, empenhada em impedir que o bloqueio caia por causa e efeito não da resistência dos cubanos, mas pela pujança dos próprios norte-americanos.