Cuba evacua milhares de pessoas à espera do furacão Ivan

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Publicado sábado, 11 de setembro de 2004 as 14:26, por: cdb

A evacuação de milhares de pessoas é uma das principais medidas adotadas em Cuba ante o impacto direto que será causado pelo furacão Ivan quando ele passar pela ilha entre amanhã e segunda-feira.

Os prognósticos meteorológicos indicam que a ameaça potencial desse fenômeno para Cuba está concentrada nas províncias ocidentais e centrais, de acordo com as projeções de sua trajetória.

O chefe do Departamento de Prognósticos do Instituto de Meteorologias da ilha, José Rubiera, disse ontem à noite em um programa de televisão que o Ivan passará por Cuba e “não há escapatória” possível para seu temível choque.

Por isso, já foram evacuadas cerca de 200 mil pessoas que vivem em casas que oferecem perigo ou em regiões baixas propensas a inundações.

Na cidade de Havana, os preparativos de evacuação atingem mais de 130 mil pessoas que moram em regiões baixas e em casas que oferecem perigo. As autoridades preparam albergues para alojá-las.

Os vizinhos dos territórios ameaçados estão reforçando janelas e telhados, e muitos têm planejada sua evacuação voluntária para casas de familiares que oferecem mais segurança.

O jornal oficial “Granma” publica que na vizinha província central de Matanzas -uma das ameaçadas- poderiam chegar a 150 mil o total de pessoas evacuadas.

O Ivan, um potente furacão de categoria quatro na escala Saffir-Simpson (de cinco níveis), avança para Cuba pelos mares do sul da ilha, depois de assolar com chuvas torrenciais e ventos de até 230 quilômetros por hora a vizinha ilha da Jamaica e outros territórios caribenhos, deixando 29 mortos, milhares de feridos e inúmeros danos materiais.

Sua chegada a Cuba acontece justamente um mês após outro devastador furacão, o “Charley”, atravesar a ilha em 13 de agosto, deixando quatro mortos, mais de 70 mil casas danificadas, milhares de feridos e prejuízos econômicos superiores a um bilhão de dólares.

De acordo com meteorologistas cubanos, esse furacão pode se converter no mais potente enfrentado pela ilha nos últimos 50 anos.

A Defesa Civil, os meios de comunicação e as organizações sociais estão chamando insistentemente a população a cumprir uma série de orientações de segurança para prevenir acidentes fatais.

Os aeroportos ainda permanecem abertos, mas, o Instituto de Aeronáutica Civil anunciou que a partir amanhã os vôos serão cancelados e, se as condições atmosféricas permitirem, serão restabelecidos na terça-feira.

No balneário de Varadero, situado na província de Matanzas, a cerca de 140 quilômetros ao leste de Havana, um dos principais pólos turísticos da ilha, permanecem neutralizados 13 mil turistas e, segundo disseram à EFE, alguns grupos estão sendo trasladados de alguns hotéis para outros que oferecem maior segurança ante a intensa temporada de vento e chuva que se aproxima.

Entre os principais desastres ocorridos em Cuba por furacões são lembrados hoje as chamadas Tempestades de São Francisco de Asís e São Francisco de Borja, em outubro de 1844 e 1846, respectivamente, os de outubro de 1870, 1910 e 1926, os de novembro de 1932, 1944 e 1963.

Nos últimos nove anos, Cuba sofreu com os graves danos causados pelos furacões “Lili” (1996), “Georges” (1998), “Irene” (1999), o destruidor “Michelle” (2001), e no ano seguinte “Isidore” e “Lili”.