Cuba critica uso de Guantánamo como prisão para suspeitos de terrorismo

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Publicado sábado, 27 de dezembro de 2003 as 09:47, por: cdb

Pela primeira vez, o governo cubano criticou o uso da base militar da Baía de Guantánamo, no sudeste de Cuba, como um centro de detenção para centenas de suspeitos de fazerem parte do Talebã e da Al-Qaeda.

Um comunicado divulgado pelo Parlamento cubano descreve a base como um “campo de concentração” onde os prisioneiros estão sujeitos a “humilhações indescritíveis”.

O comunicado diz ainda que os prisioneiros de Guantánamo estão isolados, sem acesso a advogados e sem contato com suas famílias.O documento afirma também que o que classificou de “sérios ataques à dignidade humana” acontecem em uma “atmosfera de histeria e medo, nutrida pela extrema-direita da América do Norte”.

Por um tratado assinado em 1903, os Estados Unidos ganharam o direito de arrendar a Baía de Guantánamo.Apesar dos protestos do governo cubano que, desde a revolução de 1959 vem defendendo que o tratado é contra a lei internacional, os Estados Unidos mantém uma base militar no local.

O governo americano vem sendo criticado, principalmente por organizações de defesa dos direitos humanos, pelo tratamento dado aos homens capturados durante a guerra do Afeganistão.Há cerca de 660 pessoas presas atualmente na base militar americana em Cuba.
Nenhum deles foi formalmente acusado ou julgado.

Os Estados Unidos dizem que eles são “combatentes ilegais” e, portanto, não têm direito à proteção da Convenção de Genebra.Grupos de direitos humanos argumentam que os homens deveriam ser julgados ou receber os direitos de prisioneiros de guerra.