Cuba acelera pesquisas contra a aids

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Publicado domingo, 30 de novembro de 2003 as 11:50, por: cdb

Científicos cubanos, apoiados pelo Estado, buscam com afã uma vacina contra a Aids, ainda que com investigações em um ambiente muito discreto, para não levantar falsas expectativas sobre possíveis resultados. O fato foi comprovado por mais de 800 cientistas, de aproximadamente 35 países, que participam, em Havana, do Congresso Biotecnologia 2003, o qual fechará suas portas na próxima quinta.

“A partir de 1992, em Cuba, definimos as estratégias para gerar anticorpos neutralizantes de amplo espectro e para a produção de células T citotóxicas”, anunciou Carlos Duarte, chefe do Departamento Aids do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia, em Havana.

Duarte disse que esse é um passo imprescindível para se dirigir até a descoberta de uma vacina efetiva contra a doença, que afeta 40 milhões de pessoas no mundo. “Testamos com estudos clínicos sobre voluntários os primeiros produtos obtidos. Temos recopilado dados importantes com o objetivo de reelaborar uma hipótese de trabalho e redefinir a estratégia das seguintes etapas da investigação”, ressaltou.

Os cientistas do centro encabeçado por Duarte buscam uma vacina terapêutica, mas não abandonaram a busca de outra preventiva. “Para este último objetivo nos concentramos o subtipo C do vírus HIV”, acrescentou.

No congresso, os cientistas conheceram também a saída ao mercado mundial de outra vacina cubana, sintética e de relativo preço baixo, considerada como única destinada a preservar as crianças com uma efetividade de mais de 97% contra a Haemophilus Influenzar tipo B, um agente associado à meningite, artrite rematóide e às pneumonias infantis. Esse agente causa, segundo cálculos das autoridades internacionais, cerca de 500 mil mortes de menores ao ano em todo o planeta.

Nesta conferência se comentou que uma empresa médica de Carlsbad, Califórnia, Estados Unidos, a CancerVaxSmithKline Corporation, enfrenta, atualmente, as chamadas leis estadunidenses de embargo à Ilha no seu objetivo de obter uma licença do governo estadunidense para realizar pesquisas conjuntas com este país caribenho, precisamente o campo das vacinas contra cânceres.

A biotecnologia cubana está especializada nos trabalhos sobre vacinas. Já conseguiu medicamentos desse tipo para combater meningites meningocócica nos tipos B e C, e também investigou com êxito, no campo de vacinas terapêuticas (para tratamentos curativos) contra diversos tipos de câncer.