Cruz Vermelha diz que condições de hospitais de Bagdá são terríveis

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Publicado segunda-feira, 7 de abril de 2003 as 15:35, por: cdb

Cenas terríveis recepcionaram funcionários da Cruz Vermelha no único hospital de Bagdá que eles puderam visitar em meio aos combates de segunda-feira: fluxo constante de vítimas, cirurgiões trabalhando sem descanso e os estoques de anestesia diminuindo.

Um porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC) em Bagdá disse que os intensos combates entre as forças norte-americanas e iraquianas impediram que os representantes do organismo chegassem aos hospitais, com exceção do de Kindi, próximo do centro da cidade.

Ali, os médicos disseram ter recebido tantos feridos que já estavam ficando sem anestesia e outros equipamentos básicos. A Cruz Vermelha ajudou a reabastecer o hospital com um caminhão cheio de suprimentos, disse o porta-voz Roland Huguenin-Benjamin.

Os médicos em Kindi disseram que o hospital recebeu quatro mortos e 176 feridos nas últimas 24 horas.

“Os cirurgiões estão trabalhando contra o relógio nos últimos dois dias e a maioria está exausta. As condições são terríveis”, disse Huguenin-Benjamin.

“Explosões podiam ser ouvidas a uma distância muito pequena. As janelas eram sacudidas pelas explosões. Vimos muitas ambulâncias e carros particulares trazendo vítimas”, acrescentou.

A situação era a mesma no hospital de Kadhimiya, no norte da cidade, onde médicos disseram que 18 mortos e 141 feridos foram trazidos desde o último domingo (6).

Muitos pacientes disseram que foram feridos por bombardeios quando tentavam fugir em direção ao norte do país pela estrada que leva à cidade de Mosul. Uma mulher disse que perdeu seus pais e cinco irmãs.

ÁGUA LIMPA É PRIORIDADE

“Se os outros (hospitais) estão tendo tantas (vítimas como em Kindi), é problemático. Na próxima terça-feira, nós tentaremos visitar os outros”, disse Huguenin-Benjamin.

Ele disse que os hospitais dependiam agora de geradores e que obter água limpa era uma prioridade.

A Cruz Vermelha é uma das poucas organizações humanitárias que ainda mantêm equipe em Bagdá.

Em sua sede em Genebra, a organização disse que o limite dos hospitais de Bagdá estava chegando ao fim.

“Alguns hospitais não podem mais receber nenhum ferido de guerra. Eles estão no limite”, disse a porta-voz Nada Doumani.

Os feridos não estão sendo recusados, mas muitos hospitais não têm mais camas vagas e os pacientes estão sendo tratados onde os médicos conseguem encontrar lugar.