Críticas ao pacote do governo não procedem

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Publicado quarta-feira, 4 de abril de 2012 as 07:17, por: cdb

Vi e li várias críticas normais e legitimas ao programa de apoio a indústria lançado ontem pela presidenta Dilma Rousseff. Algumas, realmente procedem. Outras não têm sentido, já que abordam questões que estão sendo administradas, mas que só podem ser resolvidas a médio prazo.

Não tem sentido, portanto, criticas a estas, seja a questão da educação e inovação, seja a questão da infraestrutura e a tributária, ou mesmo a do câmbio e dos juros. Se o governo não não estivesse atento a estas áreas e nem adotando medidas nestas áreas, aí sim a crítica procederia.

Mas, como os investimentos na infraestrutura são crescentes, as concessões e parcerias um fato, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (PRONATEC, o projeto de implantação de escolas técnicas) as aplicações em ciência, tecnologia e inovação uma realidade, os avanços na educação um fato, grande parte das críticas peca pela procedência.

Críticas de caráter quase oportunistas e inoportuno

Se considerarmos, também, que os juros (a taxa Selic) continuam em queda e a defesa comercial e as medidas cambiais uma são uma realidade, não posso deixar de destacar o caráter quase oportunista e inoportuno das críticas.

Não reconhecer que o governo articula uma série de medidas para defender nossa indústria, como a exigência de alto percentual de conteúdo nacional, de transferência de tecnologia, de associação com empresas nacionais, as adotadas sobre compras governamentais, as desonerações fiscais, a redução do custo dos empréstimos e a expansão do crédito e fazer oposição pela oposição.

Cumpre mais é se debruçar sobre as medidas de fato contidas na série de providências anunciadas. Tais como, em seu conjunto elas representarem um estímulo de R$ 60,4 bi para alavancar o desenvolvimento do setor industrial; a capitalização do BNDES que vai ampliar a concessão de crédito a juros mais baixos – o banco, inclusive, já anunciou as novas taxas reduzidas; a desoneração da folha de 15 setores que vai custar a significativa economia para as empresas de R$ 7,2 bi ao ano; o aumento da tributação sobre bebidas; e a redução do IPI dentro de um novo regime automotivo.

O BNDES reduz juros de linhas de crédito

No BNDES, no caso do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que financia máquinas e equipamentos, por exemplo, as taxas de juros foram reduzidas de 8,7% para 7,3% ao ano, no caso de grandes empresas, e de 6,5% para 5,5%, para micro, pequenas e médias empresas.

O banco, de quebra, também deverá fornecer mais acesso a linhas de capital de giro – que também poderão ser contratadas por grandes empresas, até o limite de R$ 50 milhões, com juros reduzidos para até 9% ao ano.