Cristovam diz que ‘revolução’ no ensino só depois da crise

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Publicado segunda-feira, 8 de dezembro de 2003 as 00:02, por: cdb

A “revolução” no ensino superior público brasileiro tem data para começar. No dia 15, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, apresentará um documento elaborado com outras pastas em que vai propor soluções para a crise financeira das universidades federais.

A discussão sobre o modelo de instituição que o País precisa, a “revolução” que vai fazer “o pau comer”, como definiu o ministro da Casa Civil, José Dirceu, ficará para 2004. “Vamos apresentar propostas para a crise financeira primeiro. Sem dinheiro, não dá para fazer”, disse Cristovam.

O ministro fez questão de deixar claro que o governo quer participação das universidades federais nesse debate “polêmico”, outra classificação dada por Dirceu. “A revolução não vai ser definida arbitrariamente.

Vamos abrir a discussão nos próximos meses para chegar a uma proposta”, explicou Cristovam. Participam da elaboração do documento, coordenado pelo Ministério da Educação, a Secretaria-Geral da Presidência e as pastas do Planejamento, Casa Civil, Fazenda e Ciência e Tecnologia.

A crise das universidades federais também tem afetado os hospitais universitários (HUs). Este ano, o governo liberou verba extra de R$ 100 milhões para o setor e autorizou a abertura de concursos para preencher 7.700 vagas técnico-administrativas. As medidas buscam corrigir a crise dos HUs, mas falta liberar R$ 65 milhões, verba aprovada em emenda no fim de 2002.

Mais uma vez, Cristovam tentou esclarecer a polêmica com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que considerou “partidarizado” o Mapa da Exclusão Educacional elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgado pelo MEC.

O tucano atacou o ministro por ter chamado a atenção para o fato de São Paulo ser o Estado mais rico do País e liderar o ranking, em termos absolutos, de crianças de 7 a 14 anos fora da escola.

O ministro defendeu ações conjuntas entre municípios e governos estadual e federal. “Propus uma reunião para apresentar os números e discutir como cada cidade pode cadastrar as crianças”, disse. “Temos números, agora precisamos dos nomes. Aí fica fácil colocar as crianças na escola”.