Crises econômicas podem atrapalhar criação da Alca

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Publicado quarta-feira, 30 de janeiro de 2002 as 18:40, por: cdb

As crises das economias latino-americanas são o maior perigo para a criação da Alca, segundo Peter Hakim, presidente do centro americano de análise política Inter-American Diologue. Hakim e outros especialistas em relações internacionais estão na Grã-Bretanha para uma conferência sobre a formação da Área de Livre Comércio das Américas. “As crises podem esfriar o interesse dos americanos na concretização da Alca”, acredita o analista, já que a quatro meses do início oficial das negociações para a criação da Alca, o processo vive um impasse.

Está em elaboração e votação no Congresso americano uma nova versão do fast track, que agora se chama TPA (Autoridade para Promoção Comercial, na sigla em inglês). O TPA é uma autorização para que o governo do país negocie acordos comerciais (como o da Alca) sem que os congressistas possam alterá-los. Eles terão apenas poder de veto. A primeira versão do TPA ficou pronta em dezembro do ano passado. O problema é que, de acordo com o texto aprovado em primeira votação na Câmara dos Representantes, vários setores econômicos, como a agricultura, poderiam ficar de fora das negociações da Alca.

Na opinião de alguns países do continente, entre eles o Brasil, a postura americana pode inviabilizar um acordo de livre comércio. Para o embaixador brasileiro José Alfredo Graça Lima, que também participa do encontro na Grã-Bretanha, as restrições que o Congresso americano quer impor à Alca vão contra as regras do comércio internacional. “A questão é que, se as exigências que estão sendo votadas nos Estados Unidos forem cumpridas ao pé da letra, a Alca não seria compatível com as regras do sistema multilateral de comércio”, diz Graça Lima. Apesar disso, o embaixador ressalta que a posição americana não está fechada.

Para Hakim, esse problema é contornável. “Neste momento, o conteúdo do TPA não é tão importante”, avalia ele. “O mais relevante é que o governo consiga a autorização para negociar”. Hakim acredita que as soluções para os conflitos comerciais da região podem ser resolvidos na mesa de negociação.

“As discussões serão difíceis, porque existem muitas áreas de desacordo, mas creio que a grande maioria dos países da região quer que a Alca seja uma realidade”. O analista acredita ainda que, assim que as economias regionais e a própria economia americana se recuperarem, as oportunidades para se consolidar a Alca são boas.