Crise uruguaia segue o modelo argentino

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Publicado quinta-feira, 1 de agosto de 2002 as 09:25, por: cdb

O governo uruguaio decidiu estender pelo menos até o final desta semana o feriado bancário decretado na terça para conter a fuga de depósitos dos bancos. Ontem, circularam boatos de que o governo apelaria para o corralito. Revoltado, um grupo de uruguaios saqueou um supermercado de Montevidéu. Três pessoas foram presas pela polícia. Além disso, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou de novo a nota do país.

O ministro Alejandro Atchugarry (Economia) tentou acalmar os nervos e negou diversas vezes que o governo tenha a intenção de implantar um “corralito” (nome dado pelos argentinos às restrições para saques). Para evitar uma nova corrida bancária, Atchugarry não garantiu que os bancos serão reabertos na próxima segunda-feira. Ele disse apenas que o país busca apoio para “fortalecer o sistema financeiro” e “defender os correntistas”.

Uma missão uruguaia está em Washington há uma semana para negociar a liberação de mais recursos. Novas medidas econômicas só devem ser divulgadas pelo governo após o FMI confirmar um novo acordo.
Segundo a imprensa local, o país estaria muito próximo de obter uma ajuda dos organismos financeiros internacionais de US$ 1,5 bilhão, que chegaria ao país na segunda-feira. Desse total, US$ 700 milhões representariam o adiantamento de um empréstimo já acertado com o FMI e outros US$ 800 milhões viriam de organismos internacionais e do G-7. Além disso, o país já tinha conseguido no primeiro semestre uma ajuda internacional de US$ 3 bilhões.
Todos esses recursos devem garantir a devolução dos depósitos bancários aos correntistas, reforçar as reservas internacionais e garantir o pagamento da dívida pública até o final de 2003. Hoje, apesar do feriado bancário, os caixas automáticos de Montevidéu permitiram o saque de recursos até um limite de 5.000 pesos uruguaios (US$ 192). Houve filas de correntistas.