Crise no Afeganistão pode provocar fuga de milhares de refugiados

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Publicado sexta-feira, 5 de outubro de 2001 as 16:17, por: cdb

Aqui, entre incessantes rajadas de vento e torres de pedra, o Paquistão reservou 400 acres como acampamento para os primeiros 10 mil refugiados afegãos que possam vir a atravessar a fronteira.

Muitas outras áreas serão necessárias se, como alertou as Nações Unidas, 1,5 milhão de pessoas tentarem fugir de possíveis ataques militares americanos contra o Afeganistão. Por enquanto, com a fronteira fechada, apenas pequenos grupos de pessoas estão conseguindo entrar no país, seja pagando propina, seja atravessando por remotos caminhos montanhosos.

Mesmo com tendas e latrinas, este campo será um lugar deplorável.

O Paquistão, pelo que parece, quer as coisas assim. Os refugiados terão abrigo, mas não terão confortos demais para não ficarem tentados a permanecer no país.

“Os paquistaneses têm suas preocupações, e nós temos as nossas”, disse Yusuf Hassan, porta-voz do Comissário da ONU para refugiados. “Nosso problema é como lidar com 1 milhão de pessoas”.

Atualmente, esta parte do mundo parece estar tomada por crises humanas, como os quatros anos de seca no Afeganistão.

Antes de 11 de setembro, a maior parte do mundo estava alheio à seca no Afeganistão, e cerca de 1 milhão de afegãos – aproximadamente 5% da população – abandonaram suas casas em uma busca desesperada por comida.

Cerca de 200 mil refugiados estão acampados próximos da cidade de Herat, à oeste no Afeganistão e junto à fronteira com o Irã, que já abriga aproximadamente 1,5 milhão de afegãos. Outros afegãos permaneceram em Cabul e outras cidades e vilas, dependendo de doações da ONU. Em setembro, o Programa Mundial de Alimentos alimentava 3,8 milhões de afegãos, de acordo com um porta-voz da agência, Michael Huggins.

Embora este número deveria aumentar para 5,5 milhões durante o gélido inverno ao final do ano, agora parece que, neste país cada vez mais caótico, entre 7 milhões e 7,5 milhões de afegãos poderiam ter que sobreviver com pouco mais do que doações de ração à base de trigo.

O noroeste do Afeganistão talvez tenha sido a área mais devastada pela seca.

Milhares de aldeões perderam ou venderam seus animais domésticos, tendo consumido a ração dos animais como alimento. Sementes também foram usadas como alimento.

No momento, é difícil conseguir alguma informação precisa sobre o Afeganistão.

Agências da ONU também estiveram em conflito com o Paquistão. Com a possibilidade de uma crise em relação aos refugiados, o Comissário da ONU solicitou ao governo uma lista de possíveis áreas para campos de refugiados.

“Eles identificaram cerca de 35 à 40 regiões, e foram muito vagos em relação a elas, exceto que todas terão que estar a até 8 quilômetros da fronteira”, disse Roy Herrmann, que chefia o escritório para refugiados da ONU em Peshawar, aproximadamente a 48 quilômetros ao sul de Shalman.