Crise na fronteira Brasil-Paraguai preocupa até os EUA

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Publicado quinta-feira, 20 de setembro de 2001 as 13:08, por: cdb

Para tentar acabar com os protestos na Ponte da Amizade, o governador do Paraná, Jaime Lerner se reúne, nesta quinta-feira, com o ministro da Justiça e Trabalho do Paraguai, Silvio Ferreira Fernandez. Eles vão tentar buscar uma solução para os trabalhadores brasileiros tidos como em situação ilegal em Ciudad del Este, que estão ameaçados de perder seus empregos. Também participam da reunião os secretários da Casa Civil, Alceni Guerra, e da Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, além de assessores do governo paraguaio.

Pelo terceiro dia consecutivo a Ponte da Amizade – que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Ciudad del Este, no Paraguai – voltou a ser fechada. Desde as 6h desta quinta-feira, manifestantes brasileiros estão impendindo a passagem de veículos. Eles protestam contra o governo paraguaio, que vem realizando blitz em lojas de Ciudad del Eeste, à procura de brasileiros sem documentos de emigração.

Os brasileiros afirmam que só vão liberar a fronteira quando os governos dos dois países chegarem a um acordo.

Na quarta-feira, a manifestação terminou em violência: pelo menos dez pessoas ficaram feridas e quatro foram presas durante confronto entre manifestantes e policiais militares e federais no lado brasileiro da Ponte da Amizade.

Os trabalhadores brasileiros protestavam contra a determinação do governo do Paraguai de reduzir de cinco mil para 1.500 o número de brasileiros que têm permissão para trabalhar no comércio de Ciudad del Este. Em dois dias de fiscalização, 13 foram deportados.

O tráfego na Ponte foi bloqueado por cerca de seis mil manifestantes. O congestionamento para atravessar a fronteira chegou a 10 quilômetros nos dois países. Os policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar os brasileiros, que reagiram atirando pedras.

O governo do Paraguai, no entanto, voltou atrás e decidiu dar alguns dias de prazo para os brasileiros regularizarem sua situação como trabalhadores do comércio em Ciudad del Este.

O governo paraguaio havia tomado a decisão de fiscalizar o trabalho de brasileiros na cidade como parte do acordo com ambulantes e comerciantes paraguaios, que fecharam a ponte por mais de 72 horas na semana passada. Nesta terça, os brasileiros já haviam fechado a Ponte da Amizade por três horas.

O prefeito de Foz do Iguaçu, Samis da Silva (PMDB), apoiou o protesto dos brasileiros. Ele criticou a omissão do governo federal, que não teria mandado ninguém para negociar com os paraguaios, mas aumentou o número de policiais federais na fronteira para enfrentar os manifestantes.

Fronteira pode reunir terroristas árabes

Relatório do Departamento de Estado norte-americano alerta os governos da Argentina, Brasil e Paraguai sobre a presença de “pessoas vinculadas a grupos terroristas do Oriente Médio” na fronteira entre os três países. As visitas à usina hidrelétrica de Itaipu foram suspensas, em princípio, até o final deste mês – teme-se que ela possa ser alvo de ataques.

O porta-voz da embaixada americana em Assunção, Mark Davidson, informou que os EUA recomendaram que a segurança seja reforçada nos arredores das cidades Foz do Iguaçu, no Brasil, Ciudad del Este, no Paraguai, e Puerto Iguazu, na Argentina. Segundo o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Jose Antonio Moreno, agentes do FBI, a polícia federal americana, já estão no país.

Nesta semana, o governo brasileiro recebeu uma lista do FBI com nomes de pessoas que podem estar vivendo no país e que, supostamente, têm vínculos com terroristas islâmicos. O documento foi remetido para a Polícia Federal, responsável pelas investigações. Os EUA querem a ajuda do Brasil para localizar os suspeitos.

Emergência – Por precaução, a Secretaria Nacional de Defesa Civil já começou a preparar um plano de contingência para atender as vítimas no caso de um eventual atentado terrorista no Brasil, apesar de avaliar como remota a possibilidade de isto ocorrer no país. Análise feita pelo governo f