Crise na Europa domina reunião anual do FMI e Banco Mundial

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Publicado domingo, 25 de setembro de 2011 as 09:14, por: cdb

No final do encontro anual do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI), que se encerrou neste fim de semana em Washington, o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, bateu o martelo: “O perigo de um encadeamento de falências, de uma corrida aos bancos e de níveis de risco catastróficos deve ser eliminado. Caso contrário, todos os esforços na Europa e no resto do mundo não servirão para nada”, disse Geithner, exigindo ainda mais esforços dos europeus no combate à crise de endividamento no continente.

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Durante encontro anual do FMI com Banco Mundial, o secretário o do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, cobrou mais firmeza dos governos europeus para lutar contra o endividamento do continente

Os EUA e a China exigiram em Washington uma solução rápida para a crise europeia e advertiram sobre os riscos para a economia mundial. Para o desagrado de muitos observadores europeus, os norte-americanos conseguiram fazer com que a crise da dívida soberana em países da zona do euro fosse o único tema da reunião em Washington.

Europeus X norte-americanos

– Eu acredito que os EUA tenham interesse em desviar a atenção de seus próprios problemas e responsabilizar a Europa, caso a economia do continente não reaja aos programas de apoio conjuntural, disse o chefe da Confederação Alemã das Caixas de Poupança (DSGV), Heinrich Haasis.

O argumento de Haasis é que a dívida pública dos EUA corresponderia a 100% de seu rendimento econômico anual, e a dos europeus, por outro lado, somente a 88,6%. Nos próximos cinco  anos, as dívidas norte-americanas irão crescer para 115%, enquanto na Europa elas cairão para 86,6%. Na Alemanha, espera-se uma queda de 82’% para 75%.

– Aqui se vê onde está o problema. Os norte-americanos ameaçam não somente o bem-estar de seu próprio país, mas prejudicam também as perspectivas de futuro da economia global, disse Haasis.

Por outro lado, o economista-chefe do Commerzbank, Jörg Krämer, acredita que os temores dos norte-americanos são justificáveis. “A crise de endividamento na Europa – diferentemente do problema fiscal nos EUA – tem um grande potencial de recessão. E tal recessão não se restringiria somente à zona do euro, mas também representa um problema para os EUA”. Isso explicaria o interesse dos norte-americanos em levar os europeus a agirem, disse Krämer.

Acalmando ânimos

No entanto, os europeus, sobretudo a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, e o ministro alemão de Finanças, Wolfgang Schäuble, referiram-se incansavelmente ao plano adotado de resgate do euro, que teria sido implementado de forma consequente.

Contudo, Schäuble deixou a entender em Washington a possibilidade de haver algumas pequenas mudanças, como no montante da polêmica parcela de participação dos bancos ou a antecipação do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF).

O ministro mostrou-se favorável ao início antecipado do fundo permanente destinado a ajudar países altamente endividados da zona do euro. Segundo informações da revista Spiegel, o FEEF poderia entrar em vigor já no próximo ano.

As promessas ajudam a acalmar os ânimos dos parceiros comerciais. Schäuble enxerga uma conclusão positiva do encontro: “Encerramos uma reunião anual de forma bem sucedida e com grande confiança. Estamos em uma fase difícil, sem dúvidas. Mas não existe nenhum motivo para pânico e pessimismo exagerado. Se nós mantivermos de formar consequente o mesmo curso, poderemos trazer já em breve a economia mundial para águas mais calmas”.