Crise econômica pressiona venda de imóveis novos na Grande São Paulo

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Publicado terça-feira, 30 de agosto de 2011 as 13:29, por: cdb

Predio
Segundo o sindicado que representa o setor imobiliário na capital paulista, Secovi-SP, as vendas dos primeiros seis meses de 2011 somaram 11.680 unidades

As vendas de imóveis residenciais novos na cidade de São Paulo recuaram 31,3% no primeiro semestre na comparação com igual período de 2010, pressionadas entre outros fatores por medidas de contenção de crédito tomadas pelo governo para resfriar a inflação. Segundo o sindicado que representa o setor imobiliário na capital paulista, Secovi-SP, as vendas dos primeiros seis meses de 2011 somaram 11.680 unidades. Em junho apenas, foram comercializados 2.716 imóveis no município, queda de 19,14% na comparação anual, e aumento 14,1% sobre maio deste ano.

– A finalização de avanço da inflação e consequentes medidas de contenção de crédito contribuíram para o clima de desaquecimento (no semestre), afirmou o Secovi em comunicado.

A entidade acrescentou ainda como fatores que impactaram o desempenho, a comemoração do carnaval em março, que estendeu o período sazonalmente fraco do setor que ocorre no primeiro trimestre. Fortes chuvas no início do ano também afetaram os negócios, afirmou o Secovi.

Já os lançamentos no primeiro semestre totalizaram 13.992 unidades, volume 3% superior ao lançado no mesmo intervalo do ano passado. Em junho, os lançamentos atingiram 3.167 unidades, incremento 11,9% ano a ano.

A velocidade de vendas no primeiro semestre, medida pela relação de vendas sobre oferta de imóveis, ficou em 13,2%, índice inferior aos 21,6% da primeira metade de 2010.

De janeiro a junho, os imóveis de dois dormitórios responderam pela maior parcela comercializada na capital paulista, de 40,3%, seguidos pelas unidades de 3 dormitórios, com 29,5% do total, segundo Secovi.

Indimplência

A crise também se reflete no crédito e a inadimplência de pessoas jurídicas subiu 4,5% em julho na comparação com o mês anterior, de acordo com levantamento divulgado nesta terça-feira, pela consultoria Serasa Experian. Em relação a julho de 2010, houve aumento de 16,1%. Se considerado o acumulado de janeiro a julho de 2011, a alta chega a 13,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O valor médio das dívidas, no acumulado de janeiro a julho de 2011, também teve elevação. Débitos não bancários, como pagamento a prestadoras de serviços e lojas em geral, apresentaram um crescimento de 0,3% em comparação a igual período do ano anterior, com valor médio de R$ 736,26. Dívidas com bancos tiveram alta de 6,9% e valor médio de R$ 5.059,40. Para títulos protestados, a elevação foi 7,7%, com valor médio de R$ 1.752,53. Os cheques sem fundos tiveram crescimento de 2,2% e valor médio de R$ 2.069,58.

Segundo economistas da Serasa, a política monetária restritiva, com aumento de juros para controle da inflação, é determinante para a inadimplência das pessoas jurídicas. Para eles, as empresas são prejudicadas pelo encarecimento do capital de giro e pela desaceleração da atividade econômica.