Crise argentina derruba turismo em Santa Catarina

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Publicado quarta-feira, 9 de janeiro de 2002 as 00:22, por: cdb

A crise na Argentina está tendo pelo menos um efeito direto no Brasil – a diminuição dos turistas que costumavam passar o verão nas praias do país. Em Santa Catarina, o Estado que tradicionalmente recebe mais argentinos, a queda registrada já está em torno de 50% ao verão passado. E para piorar, os poucos argentinos que estão vindo estão gastando menos. “Historicamente, o turista argentino gastava de US$ 28 a US$ 30 por dia”, afirma José Arcino Silva , diretor de marketing da Santur (Secretaria Estadual de Turismo de Santa Catarina). “Além disso, era um turista com perfil familiar, que vinha em grupos de quatro pessoas. Com a recente crise, temos um perfil diferente – é um turista mais jovem, sem acompanhante, e seu gasto gira em torno de US$ 20 a US$ 22 por dia.”

“No ano passado, recebemos 480 mil turistas argentinos. A previsão esse ano é de 250 mil argentinos, entre janeiro e fevereiro”, completa Arcino. O baque é grande para o turismo nacional. De acordo com a ABAV, Associação Brasileira das Agências de Viagens, os argentinos representam 40% dos estrangeiros que visitam o Brasil. “A grande queda no número de turistas argentinos nessa temporada de verão acontece porque os operadores de turismo de lá não podem mandar dinheiro para o pagamento dos hotéis, serviços, e companhias aéreas daqui”, explica Leonel Rossi, diretor de assuntos internacionais da ABAV. “E os argentinos não podem sacar dólares para viajar para o Brasil.”

A dimensão da crise pode ser medida por dados da Infraero, a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária: já foram cancelados 232 vôos fretados para Florianópolis, o que representa 31% dos 771 vôos programados para o período entre o final de dezembro e março. Deste total de cancelamentos, 230 aviões viriam da Argentina e 2 do Paraguai.

Mesmo diante do quadro desanimador, a ABAV acredita que nem tudo ainda esteja perdido. Leonel Rossi diz que o governo argentino deve fixar regras para que as agências de turismo locais possam pagar as operadoras brasileiras. Se a remessa de dinheiro for facilitada, os meses de fevereiro e março ainda podem ser salvos. O governo catarinense prefere se garantir por outro lado, tentando compensar a ausência dos argentinos com turistas de outras partes.

“Não rejeitamos o mercado argentino, mas agora trabalhamos com um leque maior de opções, como os mercados chileno, uruguaio, paraguaio e sudeste brasileiro”, disse Arcino Silva, da Santur. A partir do dia 10, será veiculada uma campanha nos jornais de circulação nacional para divulgar o turismo de Santa Catarina para o mercado interno.