Crise argentina contamina mercados espanhol e brasileiro

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 30 de agosto de 2001 as 17:22, por: cdb

Empresas espanholas com altos investimentos na Argentina sofreram a sua maior queda de rendimentos dos últimos três anos em decorrência da crise na América do Sul.

A petrolífera espanhola Repsol chegou a perder em um mês todo o lucro acumulado no ano.

O problema das companhias espanholas é que elas se tornaram dependentes de suas filiais latino-americanas.

Mercado reticente

A Telefónica da Espanha, por exemplo, tem 25% de seu lucro proveniente da América do Sul, o Banco Santander tem 35%, e a empresa de eletricidade Endesa extrai 25% de seus dividendos do Cone Sul.

O auxílio do FMI, que na última semana negociou com a Argentina um empréstimo de US$ 8 bilhões, serviu para acalmar os investidores.

Mas representantes do mercado financeiro espanhol acham que o empréstimo do Fundo Monetário Internacional, por si só, não resolverá a crise.

“Ainda há muitas dúvidas sobre este processo”, afirmou o vice-diretor da Bolsa de Valores de Madri, Domingo García.

“A Argentina ganhou tempo para fazer suas reformas, já que a situação é grave. É um bom momento para que eles ponham a casa em ordem”, disse o vice-diretor.

Os empresários europeus também demonstram receio de que a crise argentina chegue ao Brasil.

Um informe feito por analistas do banco Credit Suisse First Boston diz que “o banco Santander tem um alto risco, como resultado de sua presença no Brasil, uma economia que teve sua moeda desvalorizada em 20% neste último ano e cujas previsões de crescimento caíram”.

Efeito Argentina

O vice-diretor da Bolsa de Madri diz que ainda que o Brasil, mesmo tendo sofrido o efeito da crise argentina, ainda está em melhor situação que o país vizinho.

“O Brasil saiu prejudicado pela crise argentina, o que causou a perda de confiança dos investidores e a desvalorização da moeda, mas as expectativas brasileiras são melhores que as da Argentina”, afirmou Domingo García.

Segundo o vice-diretor da Bolsa de Madri, “o Brasil está fazendo seus deveres, e os empresários confiam que ainda há um amplo mercado a desenvolver no país”.

Apesar da crise, o maior banco espanhol, o Santander, afirmou que pode investir mais na região, se surgir uma boa oportunidade, e mantém a previsão de lucro no Brasil de US$ 1,5 bilhão para este ano, quantia 50% superior à obtida no ano passado.

Quanto à Argentina, os maiores empresários da Espanha se comprometeram no mês passado a ajudar o país com um fundo no valor de US$ 1,5 bilhão.