Crise argentina agrava-se com nova postura dos norte-americanos

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 17 de agosto de 2001 as 21:55, por: cdb

O pronunciamento do secretário do Tesouro dos EUA, Paul O’Neill, na tarde desta sexta-feira, ajudou a complicar um pouco mais a situação da Argentina e a elevação do dólar no Brasil, que fechou com alta de 0,79 por cento. “A Argentina está agora, depois da intervenção de US$ 41 bilhões, numa posição muito escorregadia. E estamos trabalhando para encontrar uma forma para criar uma Argentina sustentável, não apenas uma que continue a consumir o dinheiro dos encanadores e carpinteiros dos EUA, que ganham US$ 50 mil por ano e perguntam que diabos nós estamos fazendo com o dinheiro deles”, disse O´Neill, em entrevista ao programa de entrevistas Evans, Novak, Hunt & Shields, da CNN, que vai ao ar na tarde deste sábado.

FHC diz que crise pode gerar “cadeia de contágio”

Em Santiago, o presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou em uma videoconferência sobre globalização, que se os países mais afetados pela crise argentina não tomarem medidas eficazes, pode haver uma “cadeia de contágio”. O presidente lembrou que os efeitos negativos da crise argentina podem ser observados no Chile e no Brasil, onde já se verificaram desvalorizações das moedas nacionais em 20% e 25%, respectivamente. Fernando Henrique, entretanto, declarou-se otimista em relação ao desfecho da situação na economia do país vizinho. “Sou otimsita e acredito em uma reversão desse quadro. Há possibilidade de reação positiva e de os efeitos da crise serem contra-arrestados”.

O presidente brasileiro, no entanto, disse não saber qual poderá ser a solução para o problema da Argentina. Ele reiterou que o que ocorre hoje nesse país teve início com os problemas do México, no final de 1994, e depois, com as crise do Extremo Oriente, da Rússia e do Brasil. “Essas crises são provocadas pelo fato de o fluxo de capitais ter capacidade de se mover muito depressa e de estancar no momento em que o país precisa de apoio”, comentou. “Quando um país está em situação de crise, há efeito de contágio. Mesmo que esse país afetado nada tenha a ver com a situação na qual há crise, sofre as conseqüências, porque se reduz o fluxo de capitais, há menor crescimento da economia e reflexos nas taxas de inflação, de câmbio e de juros”, afirmou Fernando Henrique.

Segundo ele, os países não ficam passivos. No caso do Brasil, exemplificou, o governo aprendeu a combater os efeitos dos ataques especulativos dos últimos anos. Afirmou, ainda, que essa situação força os organismos internacionais a colocarem mais dinheiro e medidas de precaução e a exigirem equilíbrios fiscais mais fortes. O presidente brasileiro reconheceu que essas medidas em geral são duras e difíceis de ser colocadas em prática.