Criminosos do PCC podem utilizar salas de bate-papo para se comunicarem

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Publicado quinta-feira, 6 de março de 2003 as 09:46, por: cdb

Ativistas do Primeiro Comando da Capital (PCC) – facção criminosa com ação dentro e fora das penitenciárias paulistas – que estão fora das prisões podem estar usando salas de bate-papo (chat) da internet, a rede mundial de computadores, para se comunicarem. O objetivo dos criminosos é evitar o rastreamento das conversas que, na maior parte dos casos, é feita por celulares ou telefone fixo.

Essa é a mais nova linha de investigação de policiais que atuam no Setor de Inteligência da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Campinas. “Não descartamos essa hipótese. E isso será investigado”, afirmou o delegado Hamilton Caviolla Filho, titular da DIG. No final da tarde de quarta-feira, duas mulheres foram detidas, no quarto de um hotel, no Centro de Campinas.

As mulheres, que são do litoral Sul paulista, vieram à cidade com a missão de se apresentar a uma pessoa, não identificada, que elas teriam conhecido em uma das salas de bate-papo. O encontro não chegou a ocorrer pois os policiais as detiveram antes. “Vamos descobrir quem é essa pessoa que elas marcaram encontro”, afirmou o delegado. Depois de ouvidas elas foram liberadas.

Além de evitar o rastreamento, a nova estratégia implantada pelo PCC é tida como segura para a execução dos planos da facção. É por intermédio desses ativistas – pessoas que agem fora do sistema penitenciários – que há fugas, resgates, entrega de entorpecentes e celulares nos presídios e até “mandado de execuções”.

Os contatos, que até então eram restritos as visitas nos presídios e celulares, agora ganhou a internet e, por meio de códigos usados nas salas de bate-papo, os ativistas marcam encontros para colocar os pedidos dos líderes em prática.

A tese dos policiais ganhou mais força porque, na carteira de S.T.H.P, de 30 anos, uma das mulheres detidas, foi encontrado um estatuto do PCC. “Ela alegou que o marido está preso no Guarujá e quando ele foi batizado como integrante do partido ela recebeu o estatuto. Segundo S., ela andava com os mandamentos para saber quais eram suas “obrigações”, contou Caviolla Filho. Além do estatuto foi apreendido ainda uma agenda contendo dezenas de telefones pertencentes a integrantes da facção criminosa ou pessoas ligadas a ela.

Segundo o titular da DIG, boa parte dos números que constam na agenda integram a lista de 120 linhas de telefones fixos e celulares que foram rastreadas pelo Setor de Inteligência e divulgada à imprensa há pouco mais de dez dias. As linhas telefônicas são usadas por integrantes do PCC, que estão presos em várias penitenciárias espalhadas por todo o Estado. Em parceria com o Ministério Público a DIG pediu, na semana passada, o bloqueio dessas linhas junto a uma operadora de telefonia. “Estamos aguardando uma resposta da empresa que deve chegar ainda esta semana”, afirmou o delegado.