Criação da CPI do MST é aprovada pelo Senado

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Publicado quinta-feira, 3 de julho de 2003 as 21:03, por: cdb

O Senado autorizou nesta quinta-feira a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar ações do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). O requerimento foi apresentado à Mesa Diretora nesta quarta-feira pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio Neto (AM).

Com 34 assinaturas, sete além do necessário, o requerimento foi lido na sessão desta quinta-feira. A partir de agosto, quando termina o período de convocação extraordinária do Congresso, os partidos terão que indicar os parlamentares que irão compor a CPI.

Na Câmara, o PFL também colhe assinaturas para a instalação de uma CPI que investigue o MST. A movimentação pefelista é coordenada pelo líder José Carlos Aleluia, que já coletou mais de cem assinaturas até esta quinta-feira.

Para a instalação da comissão na Câmara, são necessárias 171 assinaturas.

O líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante (PT/SP), queria uma CPI que não se limitasse à investigação das ações do MST, mas que fizesse uma radiografia da violência no campo.

No seu entender, esta CPI pode desvirtuar a compreensão das ações dos movimentos sociais que lutam pela reforma agrária. Ele entende que a comissão deveria, também, investigar as milícias organizadas por fazendeiros, a impunidade e os motivos que emperram a realização da reforma agrária ao longo dos anos.

– A reação das forças conservadoras é desproporcional aos fatos que estão ocorrendo – afirmou.

Já o líder do PSDB, Arthur Virgílio Neto, quer uma apuração dos financiadores do MST. Outro que adverte para uma possível “guerra no campo”, com o agravamento dos conflitos entre fazendeiros e sem-terras, é o senador Demósthenes Torres (PFL/GO), ex-secretário de Segurança Pública.

A seu ver, o crescimento das invasões no campo e a forma como o governo vem tratando a questão só vai agravar o quadro.