CPI ouvirá empresário que disse ter pago propina a Renato Duque

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Publicado segunda-feira, 20 de abril de 2015 as 13:01, por: cdb
Petrobras
Mendonça Neto disse ter pago propina para o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque entre 2008 e 2011

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras ouve nesta quinta-feira, no plenário 2, o empresário Augusto Mendonça Neto, presidente da Setal Engenharia e executivo da Toyo Setal Empreendimentos Ltda.

Em depoimento de delação premiada durante as investigações da Operação Lava Jato, Mendonça Neto disse que pagou entre R$ 50 e 60 milhões de propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque entre 2008 e 2011.

As empresas do grupo dele foram contratadas para realizar obras nas refinarias Presidente Vargas, no Paraná, e Paulínia, em São Paulo.

Seu depoimento na CPI estava inicialmente marcado para o último dia 14, mas Mendonça Neto teve que comparecer a uma audiência na Justiça e a reunião para ouvi-lo na Câmara foi remarcada para esta semana. Ele foi convocado atendendo a requerimentos dos deputados Efraim Filho (DEM-PB), Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Edmilson Rodrigues (Psol-PA), Ivan Valente (Psol-SP) e Valmir Prascidelli (PT-SP).

Depois de Augusto Mendonça, o próximo depoimento à CPI será o do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, no dia 5 de maio.

Viagem a Curitiba

Na sexta-feira, uma comissão de sete deputados da CPI vai a Curitiba se encontrar com o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal, onde correm os inquéritos da Lava Jato que não envolvem políticos. Os parlamentares querem documentos em poder da Justiça que podem ajudar as investigações.

O presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), considera que os documentos que ainda não foram compartilhados com a comissão pelo juiz Sérgio Moro são essenciais para a investigação.

Os deputados também vão combinar com o juiz como e onde serão tomados os depoimentos das 19 pessoas presas em Curitiba acusadas de envolvimento em pagamento de propina e formação de cartel na Petrobras. Entre os presos que a CPI pretende ouvir na capital paranaense estão o doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró e o empresário Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do esquema.

– Essa ida a Curitiba, na nossa visão, quanto mais transparente ela for, melhor para termos o bom andamento dos trabalhos. Quero repetir que trabalharei para que as oitivas sejam abertas e públicas, com amplo acesso da imprensa – afirmou Hugo Motta.

A CPI já marcou outras três viagens. Na segunda-feira (27) da semana que vem, um grupo de deputados vai ao Rio de Janeiro conversar com o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine. Nas próximas semanas, membros da comissão visitarão as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. E está prevista ainda uma viagem a Londres para ouvir o empresário Jonathan Taylor, ex-diretor da SBM Offshore, empresa acusada de pagar propinas ao ex-gerente de Tecnologia da Petrobras Pedro Barusco.

Informações obtidas pela CPI indicam que Taylor estaria disposto a colaborar com as investigações. Segundo o deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA), foi feito um contato preliminar com o empresário e ele disse que não quer vir ao Brasil, mas tem uma documentação vasta e gostaria de entregá-la a integrantes da comissão.