CPI do Propinoduto ouve seis depoimentos

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Publicado segunda-feira, 5 de maio de 2003 as 10:29, por: cdb

Os deputados que integram a CPI que investiga a corrupção na Secretaria de Fazenda tem uma agenda cheia nesta segunda-feira. Estão previstos ao todo, seis depoimentos a partir das 10h da manhã, com previsão de término para as 20h. Alguns nomes de peso nas investigações estão sendo esperados.

O primeiro a ser ouvido deve ser o empresário Reinaldo Pitta, sócio de Alexandre Martins, que deve ser o segundo a depor. Os dois foram denunciados pela ex-mulher de Carlos Eduardo Pereira Ramos, Valéria dos Santos Gonçalves, como doleiros do esquema de desvio de dinheiro para contas no exterior. Cinco funcionários das empresas de Pitta e Martins já foram indiciados pela Polícia Federal, por lavagem de dinheiro.

Para as 14h30, está previsto o depoimento do fiscal Genilson Bonfim. Esta é a segunda vez que o fiscal é chamado para depor na CPI. Na quarta-feira passada, Genilson justificou sua ausência no depoimento enviando ao presidente da CPI, deputado Paulo Melo (PMDB), um atestado sem carimbo nem assinatura. O deputado o intimou novamente e pediu ajuda da polícia para que Genilson compareça esta segunda-feira.

Genilson está na lista junto com outros sete investigados pelo governo suíço, por ser correntista daquele país. Genilson passou no mesmo concurso do também fiscal Júlio César Nogueira, irmão do auditor da Receita, Amauri Nogueira, preso no 23 º Batalhão da Polícia Militar no Leblon. Genilson se tornou amigo íntimo de Júlio César quando foi subordinado do fiscal na Inspetoria de São Cristóvão.

Em seguida, estão marcados os depoimentos do vice-presidente da Glaxo Smithkline, Otto Fernando de Brito. Segundo o depoimento de Valéria Gonçalves dos Santos, Carlos Eduardo Pereira Ramos e Rômulo Gonçalves teriam recebido propina deste laboratório no valor de US$ 3 milhões. A empresa nega.

A última a ser ouvida será a fiscal de renda Lilian Nigri. Esta será a segunda vez que Lilian Nigri comparece à CPI e a terceira vez que é convocada. Na semana passada, a fiscal não foi encontrada para receber receber a intimação. Em março, Lilian Nigri afirmou desconhecer o destino das multas emitidas por fiscais subordinados a ela e se disse surpresa ao saber que a maioria dos autos tinha erro de preenchimento, além de ter silenciado por algum tempo, antes de responder que não sabia se era verdade a existência de contas na Suíça em nome de fiscais do Rio.

A fiscal ocupou o cargo de superintendente de fiscalização no período em que Rodrigo Silveirinha era subsecretário de Administração Tributária. Lilian – que ocupava a sala ao lado à de Silveirinha na Secretaria de Fazenda e por ele foi indicada para chefiar a Superintendência – e sua mãe teriam em seus nomes duas contas em um banco na Suíça.