CPI do HSBC cobra informações a 126 citados em lista

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Publicado quinta-feira, 16 de abril de 2015 as 11:12, por: cdb
CPI do  HSBC
Foi aprovada a elaboração e o envio à CPI de 50 relatórios de inteligência fiscal (RIF)

A CPI do HSBC aprovou na manhã desta quinta-feira o requerimento do relator, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que solicita informações às 126 pessoas listadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como detentoras de contas no HSBC de Genebra e que são alvos de investigações relacionadas a supostas fraudes fiscais.

Ferraço disse que o objetivo é “saber se declararam ao Banco Central e à Receita” a existência de tais contas.

– Essas informações são fundamentais para que possamos separar o joio do trigo, para sabermos se cumpriram a lei – acrescentou o senador.

Também foi aprovada a elaboração e o envio à CPI de 50 relatórios de inteligência fiscal (RIF), sob responsabilidade do Coaf, também envolvendo nomes investigados.

A CPI decidiu ainda realizar uma visita ao embaixador da Suíça no Brasil, Andre Regli, além de aprovar outras audiências. Entre elas, com o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, e com o jornalista e ex-deputado suíço Jean Ziegler, autor do livro A Suíça lava mais branco.

A comissão foi instalada no dia 24 de março. Em fevereiro, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) conseguiu, prontamente, 33 assinaturas, seis a mais que o mínimo necessário para a instalação da CPI, que terá 11 membros titulares e seis suplentes. Segundo Randolfe Rodrigues, os tucanos podem ficar à vontade para contribuir com a Comissão, “que tem interesse suprapartidário e não se destina a fomentar disputas desta natureza”, afirmou. A intenção, disse o senador, é “desmantelar pela raiz” um grande esquema criminoso.

– Esse escândalo é de dimensão mundial. De acordo com o Financial Times, trata-se do maior caso de evasão fiscal do mundo. É necessário que o Parlamento brasileiro também se manifeste e instaure um procedimento de investigação – afirmou Randolfe.

Desvio bilionário

O britânico HSBC, em sua sede na Suíça, admitiu a gestão fraudulenta para encobrir a origem de possíveis recursos ilícitos nas contas de clientes de peso, entre eles empresários, socialites e políticos. O Brasil é o quarto na lista, em número de contas suspeitas.

O Swissleaks, como é chamado o escândalo, internacionalmente, tem como fonte original um especialista em informática do HSBC, o franco-italiano Hervé Falciani. Segundo ele, entre os correntistas, estão 8.667 brasileiros, responsáveis por 6.606 contas que movimentam, entre 2006 e 2007, cerca de US$ 7 bilhões, que em grande parte podem ter sido ocultados do fisco brasileiro.

Em seu requerimento para a instalação da CPI, Rodrigues o classifica como “um arrojado esquema de acobertamento da instituição financeira, operacionalizado na Suíça, que beneficiou mais de 106 mil correntistas”, de mais de 100 nacionalidades. O total de recursos manejados dentro do esquema, segundo Randolfe, pode superar US$ 100 bilhões, no período de 1998 a 2007.

Randolfe Rodrigues acredita, ainda, que a lista dos titulares das contas certamente guarda estreita relação com outras redes de escândalos do crime organizado do país e do mundo. O senador lamentou que “o escândalo do Suiçalão”, como foi batizado aqui, no Brasil, venha sendo sistematicamente ignorado pela mídia conservadora. Segundo Randolfe, essa seletividade denuncia o envolvimento de personagens poderosos, que podem sempre se servir da benevolência de setores da imprensa.

Famosos na lista

Nesta segunda-feira foram divulgados nomes de personalidades da área cultural, ligadas à música, à literatura, ao cinema e televisão. Na lista estão famosos como os atores Edson Celulari, Claúdia Raia, Maitê Proença, Francisco Cuoco, Marília Pera, o apresentador Jô Soares, a escritora Zélia Gattai (falecida em 2008) e os dois filhos, Paloma e João Jorge. Os cineastas Andrew Waddington e Ricardo Waddington aparecem na lista dividindo uma conta.