CPI decide convocação de Garotinho na segunda-feira

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Publicado sexta-feira, 21 de fevereiro de 2003 as 19:40, por: cdb

A CPI dos Fiscais, que investiga corrupção na Secretaria da Fazenda no governo de Anthony Garotinho (PSB) e a relação do caso com os US$ 33,4 milhões depositados na Suíça em nome de funcionários públicos, decidirá na próxima segunda-feira se convoca o ex-governador para depor na investigação.

A possibilidade, que surgira com os depoimentos dos ex-secretários Carlos Sasse e Fernando Lopes, fortaleceu-se nesta quinta-feira com o depoimento do diretor de Informática do Detran, David Birman, que disse ter se encontrado com Garotinho para preveni-lo do escândalo – o que o ex-governador inicialmente negou.

A proposta de chamar Garotinho, apresentada pelo deputado Alessandro Molon (PT) em sessão fechada da comissão, ameaça, porém, dividir seus integrantes – em sua maioria, ligados a partidos da base de apoio da governadora Rosinha Garotinho (PSB), mulher do ex-governador.

“Acho que simplesmente o fato de uma pessoa citar um nome não é motivo determinado para que a convoquem”, disse o presidente da CPI, Paulo Melo (PMDB). Molon discordou. “É necessário recolocar a discussão, uma vez que uma segunda testemunha se apresenta aqui e confirma o depoimento do doutor Sasse. Acho que há resistência (a chamar Garotinho).”

Depoimento

Em seu depoimento, Birman confirmou toda a versão apresentada na véspera por Sasse e Lopes para os acontecimentos que antecederam o escândalo, mas negou que Silveirinha tivesse confessado ter conta na Suíça.

Analista de sistemas e ex-subsecretário da Receita e ex-coordenador no Rio do Programa Nacional de Apoio à Administração Fiscal nos Estados (PNAF), ele contou que conhece Silveirinha há mais de 15 anos, desde que prestara serviços à Riotur, onde o hoje fiscal trabalhou.

Mesmo assim, insistiu que não eram amigos e que ficou muitos anos sem vê-lo, até que se reencontraram, em 1998. Ele confirmou que no início de janeiro passado Silveirinha o procurou em casa.

“Fui recebê-lo no portão e o convidei para entrar, mas ele não quis”, contou. “Disse que estava ali para fazer um pedido: que olhasse pela família dele, se algo lhe acontecesse.”

Segundo Birman, Silveirinha estava “transtornado” com a reportagem que seria publicada pela revista IstoÉ, contando o caso, mas não lhe disse se era verdadeira. “Ele temia a repercussão, aonde isso ia chegar”, declarou.

“Eu ponderei: ‘Se você não tem nada a perder, é chato, mas pode contar comigo.” Mesmo assim, insistiu que não tinha intimidade com Silveirinha e disse que ele fez o pedido, provavelmente, porque o tinha como referência.

O diretor do Detran confirmou ter participado da reunião com Sasse e Lopes e que foi informar Garotinho do que ocorria. O ex-governador, disse, demonstrou tranqüilidade. O depoimento causou estranheza entre os deputados, que o consideraram contraditório.

“Uma simples matéria de jornal, completamente falsa, talvez não fosse o caso de ir à casa do governador”, disse Carlos Minc (PT). “Se eu acreditar no depoimento do senhor David Birman, não valeu nada o depoimento do doutor Sasse”, disse Melo.

“Ninguém procura ninguém em casa para entregar o destino da sua família se não existir um elo de amizade.”

De manhã, o ex-secretário da Fazenda de Benedita da Silva, Nelson Rocha, afirmou que extingüiu a Inspetoria de Contribuintes de Grande Porte por motivos técnicos e que desconhecia se havia irregularidades nela.

Ele afirmou que a decisão de anular um débito de R$ 468 milhões da Rio de Janeiro Refrescos, engarrafadora da Coca-Cola, não foi sua, mas do então subsecretário de Administração Tributária, Eduardo Bastos Campos.

“A secretaria (na gestão Benedita) manteve o mesmo modelo concentrador, que fez com que uma malha de corrupção se espalhasse”, acusou o deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB).