CPI da Petrobras: Legatti nega saber de irregularidades na estatal

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Publicado terça-feira, 31 de março de 2015 as 10:51, por: cdb
CPI da Petrobras
O ex-gerente geral da refinaria Abreu e Lima disse que nunca viu o doleiro Alberto Youssef

O ex-gerente geral da refinaria Abreu e Lima Glauco Legatti disse, na manhã desta terça-feira, à CPI da Petrobras, que antes que fossem tornadas públicas as acusações relativas à Operação Lava Jato, nunca soube de irregularidades praticadas pelos ex-diretores da estatal Renato Duque e Paulo Roberto Costa ou pelo ex-gerente de serviços Pedro Barusco.

Barusco e Costa são delatores do esquema de desvio de recursos da estatal perante a Justiça Federal e admitiram, em diversos depoimentos, ter recebido propina de empresas contratadas pela Petrobras. Renato Duque é acusado por eles de fazer o mesmo, mas ele nega qualquer envolvimento.

Legatti responde a perguntas do relator da CPI da Petrobras, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ). O ex-gerente de Abreu e Lima também disse que não conhece e nunca viu o doleiro Alberto Youssef, outro delator do esquema e acusado pelo Ministério Público de atuar como operador financeiro do esquema.

A Refinaria Abreu e Lima começou a operar no fim do ano passado em Pernambuco. Com projeto inicial orçado em US$ 2,5 bilhões, a construção da refinaria acabou custando cerca de US$ 18 bilhões.

Superfaturamento

Legatti afirmou que não houve superfaturamento na obra, prevista inicialmente para custar US$ 2,4 bilhões, estimativa alterada depois para 13 bilhões de dólares e que acabou totalizando 18 bilhões de dólares.

– Não houve superfaturamento. Tudo o que foi contratado foi executado – disse.

Ele explicou que 60% da refinaria foi contratada em reais – e não em dólares. E que o valor de US$ 18 bilhões é resultado de uma contabilidade resultante da variação da taxa de câmbio. Segundo ele, a refinaria custou R$ 26 bilhões e que o valor de US$ 18 bilhões se deve a dois cálculos distintos, um feito quando o dólar estava valendo R$ 2,40, valor reajustado quando o dólar atingiu R$ 1,60 – o que fez com que o valor ficasse bem maior em reais.

Em depoimento à CPI da Petrobras na semana passada, a ex-presidenta da empresa Graça Foster falou sobre a discrepância entre o valor orçado inicialmente e o valor final do projeto. Para ela, o projeto básico da refinaria foi mal elaborado. “Se você não tem projetos básicos de qualidade, você vai ter aditivos. Na Abreu e Lima, a questão principal foram as mudanças sucessivas no projeto. Até as características do petróleo que seria refinado ali mudaram durante o processo”, disse Graça para quem a empresa cometeu um erro ao divulgar o valor inicial.

Durante as investigações da Lava Jato, a Polícia Federal apontou Shinko Nakandakari como operador do esquema de pagamento de propina em nome da Galvão Engenharia. Em seus depoimentos ele cita o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e o ex-gerente de Tecnologia Pedro Barusco como beneficiários do esquema de propina.

Em depoimento à Justiça Federal, o executivo da Galvão Engenharia, Dario Queiroz, preso na Lava Jato, disse que também foram beneficiados pelo esquema o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e João Claudio Genu, ex-assessor do PP. Queiroz admitiu ter participado de uma reunião em 2010 para acertar o pagamento de R$ 4 milhões em propina, po rmeio de contratos fraudulentos entre a empreiteira e empresas de fachada de Youssef. Os pagamentos teriam sido intermediados por Nakandakari.

Vaccari vai depor na CPI da Petrobras no dia 23 de abril

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras na Câmara, Luiz Sérgio (PT-RJ), disse, nesta terça-feira, que o depoimento do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, deve ocorrer no dia 23 de abril. Antes, a comissão deve ouvir, no dia 16, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho.

A CPI aprovou a convocação de Vaccari na semana passada, durante reunião deliberativa em que também foram aprovados mais de 100 requerimentos de convocação para depoimentos, quebra de sigilos e de compartilhamento de documentos e informações. Entre os requerimentos aprovados também está o da ex-gerente de Abastecimento da Petrobras Venina Velosa da Fonseca.