CPI da Petrobras convoca pessoas ligadas a Youssef

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Publicado quinta-feira, 14 de maio de 2015 as 11:21, por: cdb
CPI da Petrobras
À CPI da Petrobras, Alberto Youssef disse acreditar que não havia superfaturamento de preços nos contratos da estatal

A CPI da Petrobras aprovou os primeiros requerimentos de convocação de testemunhas. Foram convocados a depor, ainda sem data marcada, as seguintes pessoas: Leonardo Meirelles, doleiro ligado a Alberto Youssef; Rafael Ângulo, funcionário de Youssef; e o empresário Caio Gorentzvaig.

– Rafael Ângulo é um dos entregadores de dinheiro de Youssef. É importante convocar também o ex-policial Jayme de Oliveira, que fazia a mesma coisa – disse o deputado Ivan Valente (Psol-SP).

Caio Gorentzvaig, ex-acionista da Petroquímica Triunfo, no Rio Grande do Sul, postou vídeo na internet no mês passado em que fazia acusações de corrupção na Petrobras. Ele disse que que a Triunfo foi “expropriada” em maio de 2009 por decisão do governo para beneficiar a Odebrecht, dona da empresa petroquímica Braskem. Ele mencionou os nomes da presidente Dilma Roussef, do ex-presidente da Petrobras Luiz Sérgio Gabrielli e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa – um dos delatores da Operação Lava Jato.

Depoimento de Youssef

Na segunda-feira, o doleiro Alberto Youssef disse à CPI da Petrobras acreditar que não havia superfaturamento de preços nos contratos da estatal. Ao responder pergunta do deputado Celso Pansera (PMDB-RJ) sobre a origem dos recursos, ele disse que provavelmente vinha da taxa de lucro das empresas. Youssef disse que, muitas vezes, o percentual de propina (que ele chama de “comissionamento”) de 1% acabou reduzido a pedido dos empresários.

– Na minha concepção, não havia superfaturamento. Muitas vezes, os empreiteiros pediam que o comissionamento fosse reduzido porque eles não estavam dando conta de fazer a obra com esses pagamentos. Por isso, muitas vezes, o comissionamento de 1% foi reduzido – concluiu.

Youssef ainda citou nomes de vários políticos que, segundo ele, receberam recursos do esquema de financiamento de campanha originado de propinas pagas por empresas contratadas pela Petrobras.A maior parte dos políticos que ele afirma ter financiado, direta ou indiretamente, pertence ao PP – partido para o qual Youssef confessou ter operado.

Youssef disse que não tratou pessoalmente com a maioria dos políticos, mesmo aqueles que ele financiou. Em resposta ao deputado Júlio Delgado (PSB-MG), o doleiro disse que, na maior parte das vezes, os nomes e valores destinados aos beneficiários eram repassados a ele pelos líderes do PP: Nelson Meurer, Mário Negromonte e João Pizzolatti.

Ele diferenciou os políticos que conhecia dos que não conhecia. Ele disse ter financiando algumas pessoas que não conhecia e não ter feito o mesmo para algumas que conhecia, já que foi apresentado a muitos políticos na casa do ex-líder do PP João Pizzolatti, em Brasília.Youssef admitiu que algum político pode ter recebido recursos destinados por ele ao partido.

Youssef disse, por exemplo, que não conhece o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas afirmou ter feito pagamento destinado a ele, por intermédio do empresário Fernando Soares, e atribuiu a informação ao empresário Júlio Camargo. De acordo com Camargo, o dinheiro foi pago para que a Câmara não questionasse o contrato da Toyo com a Petrobras para o aluguel de sondas. O parlamentar nega as acusações.
O doleiro falou o mesmo da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

– Não conheço pessoalmente, mas fiz repasses – disse.

Além dos líderes do PP, os políticos que ele afirma ter ajudado com recursos, direta ou indiretamente, foram os seguintes: Aguinaldo Ribeiro, Ciro Nogueira, Dilceu Sperafico, Eduardo da Fonte, José Otávio Germano, Lázaro Botelho, Luis Carlos Heinze, Luiz Fernando Farias, Renato Molling, Roberto Brito, Roberto Balestra, Waldir Maranhão, José Mentor, Lindberg Farias, Fernando Collor, Fernando Bezerra, Aline Corrêa, João Leão, Pedro Corrêa, Pedro Henry, Cândido Vaccarezza e Luiz Argôlo.