Costa do Marfim declara fim do conflito interno

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Publicado sexta-feira, 4 de julho de 2003 as 19:03, por: cdb

Exército e rebeldes da Costa do Marfim declararam formalmente na sexta-feira o fim do conflito interno no país, com a esperança de abafar a insurgência no principal produtor mundial de cacau.

A ex-colônia francesa entrou em guerra em setembro, depois de uma frustrada tentativa de golpe de Estado contra o presidente Laurent Gbagbo.

O país continua dividido entre o norte, majoritariamente muçulmano, sob controle dos rebeldes, e o sul, com grande presença de cristão, controlado pelas forças do governo.

O conflito terminou oficialmente com a assinatura de um cessar-fogo em maio, mas as tensões ressurgiram após um ataque contra um ministro rebelde em Abidjan e as ameaças dos rebeldes de se retirarem do processo de desarmamento a menos que Gbagbo designe novos ministros da Defesa e Segurança.

Governo e rebeldes concordaram em fazer um pronunciamento conjunto nesta sexta-feira devido à séria ameaça à reconciliação nacional e para tranquilizar a população de 16 milhões de habitantes da Costa do Marfim.

O Exército de Gbagbo e os rebeldes, que agora se autodenominam “Novas Forças”, disseram que trabalharão juntos “para dissuadir qualquer indício de um retorno da guerra mediante manipulações clandestinas irresponsáveis”.

Gbagbo conseguiu a aproximação ao convocar a Assembléia Nacional para que aprovasse uma anistia para os rebeldes, que permitirá a adesão deles ao Exército, se quiserem. O projeto de lei será apresentado ao Parlamento na próxima semana.

Vários dirigentes políticos do partido governante de Gbagbo protestaram contra a aprovação da lei, argumentando que antes os combatentes rebeldes devem desarmarem-se.

O desarmamento está previsto para começar em agosto e ser concluído em 15 de setembro, apenas quatro dias antes do primeiro aniversário da tentativa fracassada de golpe de Estado.

Milhares de pessoas morreram no conflito e mais de 1 milhão foram obrigadas a deixar suas casas.