Correção de inverdades

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Publicado quinta-feira, 5 de abril de 2012 as 16:09, por: cdb

Vídeo que mostra Carlinhos Cachoeira e Waldomiro Diniz negociando propina é de 2002 e não de 2004, como afirma atualmente parte da imprensa. Outra gravação explica motivação política para divulgação da fita.

Tenho acompanhado o noticiário sobre a operação Monte Carlo, da Polícia Federal, apenas pelos jornais e é preciso corrigir uma série de inverdades que jornalistas e colunistas estão tomando como verdade. Afirmam que a primeira gravação envolvendo Carlinhos Cachoeira é de 2004 com Waldomiro Diniz, então assessor da Casa Civil. Isso é mentira. O vídeo, na verdade, fora gravado em 2002, quando Waldomiro ainda trabalhava na Loterj, no Rio de Janeiro. Portanto, como provou a Justiça, não há qualquer relação com as atividades do governo a partir de 2003.

Havia sim (como ainda há hoje) uma preocupação em me atingir e também ao governo do presidente Lula. Isso ficou claro a partir de uma gravação que mostra o ex-subprocurador-geral da República, José Roberto Santoro, tomando depoimento extraoficialmente de Carlinhos Cachoeira em plena madrugada, em Brasília. Santoro tenta convencer Cachoeira a entregar oficialmente a fita com a gravação feita em 2002 e admite o foco em atingir o governo. Ele também se diz preocupado com a reação de seu chefe, o então procurador-geral da República Cláudio Fontelles, caso flagrasse a negociação com Cachoeira.

O depoimento durou mais de quatro horas. Por volta das 3 da manhã, Santoro narra como seria a reação de Fontelles: “você é subprocurador-geral. Não tem que ficar na Procuradoria, de madrugada tomando depoimento dos outros. Tudo tem um limite”. Mais adiante, Santoro insiste no mesmo ponto: “ele vai chegar aqui e vai dizer ‘o sacana do Santoro resolveu acabar com o governo do PT e para isso arrumou um jornalista, juntaram-se com um bicheiro e resolveram na calada da noite tomar depoimento. Não foi nem durante o dia. Foi às três horas da manhã”. Em outro trecho, diz: “ele vai vir aqui e vai ver tomando depoimento para, desculpe a expressão, ferrar o chefe da Casa Civil da Presidência da República, o homem mais poderoso do governo, ou seja, para derrubar o governo Lula”.

A gravação do depoimento extra-oficial de Cachoeira a Santoro foi levada ao ar pelo Jornal Nacional no dia 30 de março de 2004. Segundo a TV Globo, áudio foi periciado e teve sua autenticidade confirmada. (Confira o vídeo)