Coréias suspendem discussões sobre parcerias econômicas

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Publicado quarta-feira, 21 de maio de 2003 as 08:53, por: cdb

As negociações sobre uma cooperação econômica entre as Coréias do Sul e do Norte foram suspensas, depois da troca de farpas sobre o encontro entre o presidente sul-coreano, Roh Moo-Hyun, e o presidente americano, George W. Bush.

Na terça-feira, a Coréia do Norte fez uma advertência sobre um possível “desastre indescritível” para a Coréia do Sul, caso o governo sul-coreano continuasse a apoiar os Estados Unidos na controvérsia sobre o programa nuclear desenvolvido por Pyongyang.

A Coréia do Sul protestou, exigindo uma explicação sobre a ameaça antes que as negociações econômicas pudessem continuar.

O líder da delegação da Coréia do Sul, Kim Gwang-Lim, advertiu Pyongyang que os benefícios de projetos econômicos conjuntos poderiam ser perdidos, caso a tensão entre os dois países continue a aumentar.

A correspondente da BBC em Seul afirma que as negociações – realizadas em Pyongyang – se encontram sob risco de colapso.

Gluck disse que integrantes da delegação da Coréia do Sul foram surpreendidos não apenas pela veemência do ataque que partiu de Pyongyang, mas ainda pelo fato de que a ameaça foi feita diretamente pelo líder da delegação da Coréia do Norte, e não indiretamente, pela imprensa estatal.

Os Estados Unidos e a Coréia do Sul haviam ameaçado tomar “medidas adicionais” contra o regime do presidente norte-coreano, Kim Jong-Il, caso ele continuasse a alimentar a tensão na peníncula coreana.

As autoridades dos dois países, no entanto, não revelaram quais seriam essas medidas após o encontro entre Bush e Roh.

Nos Estados Unidos, dois homens qualificados como desertores da Coréia do Norte prestaram depoimento a uma comissão do Senado americano.

Os dois foram questionados sobre seus supostos envolvimentos com o programa nuclear norte-coreano.

Os homens, que utilizaram codinomes, foram conduzidos à sala da comissão utilizando capuzes pretos e deram seu depoimento por trás de uma tela.

Um deles, identificado como Bok Koo Lee, disse que 90% das peças usadas no programa eram contrabandeadas do Japão.

O outro homem, identificado apenas como Desertor Número 1, disse que a Coréia do Norte vende heroína para receber receitas em moeda estrangeira.

Analistas afirmam que Washington está tentando se concentrar nos supostos atos criminais cometidos por Pyongyang, depois de progredir pouco na resolução da crise sobre o programa nuclear norte-coreano.