Coréia do Norte quer pacto de não-agressão com os EUA

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Publicado sábado, 4 de janeiro de 2003 as 00:02, por: cdb

A Coréia do Norte acusou os Estados Unidos de usar táticas da Guerra Fria para lidar com o programa nuclear de Pyongyang e exigiu uma solução diplomática para a crise, inclusive com a assinatura de um pacto de não-agressão.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira pelo embaixador norte-coreano na China, Choe Jin Su, que reiterou um pedido de seu governo, apresentado em dezembro, que propunha o diálogo com os Estados Unidos.

A Coréia do Norte, porém, deixou claro que não aceitará pré-condições para o início das conversações.

“Está claro como a luz do dia que a eclosão da crise nuclear na península coreana deve-se a uma postura hostil dos Estados Unidos para com a República Democrática Popular da Coréia e este assunto tem que ser solucionado entre a República Democrática Popular da Coréia e os Estados Unidos”, declarou Choe em entrevista coletiva, em Pequim.

O embaixador alegou que a Coréia do Norte sempre esteve à frente das iniciativas de diálogo, enquanto o governo de Washington preferia esperar os acontecimentos.

“Seguindo o caminho contrário da tendência no novo século, rumo à reconciliação e a paz, os Estados Unidos sozinhos, com seu estilo de pensamento da Guerra Fria, estão nos ameaçando com armas nucleares”, disse Choe, que também expressou desconfiança em relação à promessa norte-americana de que não invadirá a Coréia do Norte.

“Se os Estados Unidos fossem sinceros, teriam respondido à nossa oferta de diálogo”, concluiu.

O embaixador citou a denominação criada pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que incluiu Coréia do Norte, Irã e Iraque em um “Eixo do Mal”. Criticou, ainda, a decisão de Washington de suspender os carregamentos de óleo combustível para o país.

Os Estados Unidos, o Japão e a Coréia do Sul suspenderam os envios do produto depois que a Coréia do Norte admitiu, em outubro, que mantinha um programa secreto de armas nucleares.

Na quinta-feira, Bush disse acreditar que o impasse com a Coréia do Norte poderia ser solucionado pacificamente, por meio da pressão econômica e diplomática.

Apesar de Rússia e Coréia do Sul apoiarem o diálogo com Pyongyang, a política da Casa Branca é manter a Coréia do Norte isolada do restante do mundo até que o país abra mão de suas ambições nucleares.