Coréia do Norte pode estar próxima de construir armas nucleares

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 5 de fevereiro de 2003 as 23:17, por: cdb

Um oficial do governo Bush alertou na terça-feira que a Coréia do Norte, se autorizada a reprocessar tubos de combustível nuclear utilizado, pode vender parte deste material a terroristas e a outros inimigos dos Estados Unidos que estão tentando construir armas nucleares.

O oficial, vice-secretário de Estado Richard Armitage, disse a senadores no Capitólio que as recentes ações da Coréia do Norte para a reabertura de uma usina de reprocessamento de plutônio pode capacitar o país a construir entre quatro e seis novas armas nucleares em alguns meses.

Mas Armitage também previu que a Coréia do Norte, que também está lutando para alimentar seu povo, teria plutônio suficiente para vender a “um Estado patife”.

“Acredito que a corrida armamentista na Coréia do Norte esteja próxima da possibilidade de proliferação, que é o nosso maior medo, da Coréia do Norte – que ela distribua materiais divisíveis e outras tecnologias nucleares para outras nações ou Estados patifes”, disse Armitage.

Armitage também confirmou aos senadores que o Paquistão tinha ajudado a Coréia do Norte a desenvolver seu programa de armas nucleares, dizendo que as transferências de tecnologia entre os dois países tinha seguido para “ambas as direções”.

Ele se recusou a dar detalhes, entretanto, dizendo que o Paquistão tinha garantido ao governo que essas transferências tinham acabado.

Oficiais do governo se mostraram dispostos no passado a admitir somente em segredo que a Coréia do Norte oferecia tecnologia de mísseis ao Paquistão em troca de assistência no enriquecimento de urânio para armas.

Os alertas de Armitage sobre a ameaça da proliferação norte-coreana vieram apenas cinco dias depois de oficiais americanos terem informado que satélites espiões sobre a Coréia do Norte tinham detectado o que parecia ser caminhões transportando parte do estoque de 8 mil tubos de combustível utilizado do país que estavam armazenados no complexo nuclear Yongbyon.

Oficiais da inteligência concluíram que a Coréia do Norte, que pode ter uma ou duas armas nucleares hoje, pode começar a produzir plutônio para bombas a partir dos tubos até o final de março.

A possibilidade de a Coréia do Norte começar em breve a vender as matérias-primas para armas nucelares, enquanto a capacidade do Iraque de produzir esses materiais continua em dúvida, incitou questões de senadores republicanos e democratas sobre por que o governo Bush sentia a necessidade urgente de usar força militar para desarmar o Iraque.

O senador Chuck Hagel questionou se a potencial capacidade da Coréia do Norte de vender matérias-primas para bombas nucleares a terroristas a tornava “muito mais perigosa” que o Iraque.

Armitage respondeu que “é completamente diferente a situação no Iraque”, dizendo que Saddam Hussein, o presidente iraquiano, queria “intimidar, dominar e atacar” seus vizinhos.

“Não estamos certos de que esta seja a motivação de Kim Jong II”, o líder norte-coreano, disse Armitage. “Acho que ele quer usar o poder nuclear para benefícios econômicos – vender, trocar, o que quer que seja”.

O governo Bush disse que está comprometido com uma solução diplomática para a crise norte-coreana e não tem planos de atacar a Coréia do Norte.

Mas na segunda-feira, o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, colocou 24 bombas de longo alcance em alerta para um possível emprego no Pacifico. A atitude pareceu ter a finalidade de deter ações agressivas da Coréia do Norte no caso de os EUA entrarem em guerra com o Iraque, e para dar opções militares ao presidente Bush se a diplomacia falhar.

O comandante das forças dos EUA na Coréia do Sul também anunciou na terça-feira que 2,9 mil soldados americanos poderiam ser mantidos depois do fim de seu período de serviço para garantir que todas as unidades continuassem “com 100%” de suas forças.

Mas o comandante, o general Leon LaPorte, negou que a ação tenha sido um recurso para aumentar a força das 37 mil tropas que já estão na