Coréia do Norte detona míssil no mar do Japão

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Publicado segunda-feira, 10 de março de 2003 as 10:11, por: cdb

A Coréia do Norte realizou um novo teste com míssil, no mar, por volta do meio-dia desta segunda-feira (hora local), de acordo com o Ministério da Defesa da Coréia do Sul. O míssil seria similar ao usado no teste de 24 de fevereiro, na véspera da cerimônia de posse do novo presidente sul-coreano, Roh Moo-hyun.

Porta-voz do governo sul-coreano declarou que o país estava investigando se o lançamento tinha sido bem-sucedido. O anterior foi considerado um fracasso pelo fato de o míssil ter aparentemente explodido no ar.

Washington observou que o teste desta segunda-feira não foi uma surpresa porque a Coréia do Norte havia avisado a navios que evitassem uma área do Mar do Japão (Mar do Leste, como é conhecido na Coréia do Sul), entre sábado e terça-feira.

Os Estados Unidos minimizaram seu significado, apesar do impasse em torno do suposto programa de armas nucleares norte-coreano. Em Tóquio, o chefe da agência de Defesa do Japão, Shigeru Ishiba, disse que o míssil não representava uma ameaça direta a seu país.

– Não acreditamos que isso terá qualquer impacto significativo na nossa segurança nacional, mas estamos acompanhando a situação – afirmou, durante uma sessão do Parlamento.

Antes do teste desta segunda-feira, autoridades norte-americanas haviam dito que a Coréia do Norte poderia realizar outro lançamento de um de seus mísseis de curto alcance KN-01, que está em fase de desenvolvimento.

Os Estados Unidos pretendem reiniciar os vôos de reconhecimento sobre o Mar do Japão após um de seus aviões espiões RC-135 ter sido interceptado na semana passada por caças MiG norte-coreanos, informaram fontes militares norte-americanas, acrescentando que Washington deseja que o Japão e a Coréia do Sul participem de tais missões.

As tensões entre a Coréia do Norte e os Estados Unidos vêm crescendo desde que Washington anunciou em outubro passado que autoridades norte-coreanas haviam revelado a diplomatas norte-americanos possuir um programa de armas nucleares, em violação de acordos internacionais.

Tal acusação foi rejeitada por Pyongyang, que argumenta que está reativando suas usinas nucleares por necessitar desesperadamente de eletricidade.

O Governo Bush recusa-se a negociar diretamente com o país, alegando que não se dobra à “chantagem nuclear”, e vem tentando convencer a Coréia do Sul, o Japão e a China a exercer pressão juntamente com os Estados Unidos a fim de chegar a uma solução política e diplomática para o impasse.