Coréia do Norte acusa EUA de adotar “política criminosa”

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Publicado quarta-feira, 8 de janeiro de 2003 as 12:16, por: cdb

O Governo da Coréia do Norte acusou os Estados Unidos de espalhar “falsos rumores” sobre sua “questão” nuclear, em uma tentativa de prejudicar as relações de Pyongyang com a Coréia do Sul, afirmou a agência de notícias oficial norte-coreana.

O comunicado, em que os EUA são também acusados de adotar uma “política criminosa”, foi divulgado depois de Washington ter aceitado conversar com a Coréia do Norte, numa tentativa de resolver a crise.

“Existe um crescente perigo de uma guerra nuclear na Península Coreana devido à política criminosa dos Estados Unidos em relação à República Democrática Popular da Coréia”, afirmou o Governo de Pyongyang em sua nota.

“Os Estados Unidos estão espalhando deliberadamente um falso rumor sobre a ‘questão nuclear’ da República Democrática Popular da Coréia, em particular, numa tentativa de viciar a atmosfera de reconciliação e unidade intercoreana e de fomentar a confrontação entre os coreanos”, acrescentou.

Na terça-feira, Washington havia anunciado que concordava em conversar com os norte-coreanos sobre a questão nuclear, mas acrescentou que não assumiria nenhum compromisso com o país comunista.

A posição norte-americana foi manifestada em uma declaração conjunta, durante uma reunião tripartite com autoridades japonesas e sul-coreanas.

O comunicado conjunto assinala uma leve mudança na política norte-americana. Até agora, os EUA vinham afirmando que não manteriam conversações diretas com a Coréia do Norte sobre os termos de um acordo de não-proliferação, que foi assinado em 1994, até que Pyongyang cumpra suas obrigações, contidas naquele documento.

O líder da Coréia do Norte, Kim Jong-il, está sendo pressionado a cumprir o acordo de 1994, pelo qual Pyongyang aceitou abandonar seu programa de armas nucleares em troca de ajuda econômica dos Estados Unidos, do Japão e da Coréia do Sul.

Os norte-coreanos argumentam ter sido obrigados a reativar suas usinas nucleares para gerar energia, depois que Washington suspendeu o envio de combustíveis ao país, o que Pyongyang alega ser uma violação do acordo.

No entanto, Washington alega ter parado de enviar os carregamentos depois que, em outubro, a Coréia do Norte admitiu ter continuado com seu programa de armas.

Na terça-feira, o presidente George W. Bush disse acreditar que “a diplomacia funcionará”, e reiterou que os EUA não planejam atacar a Coréia do Norte.

“Nós não temos um intento agressivo, não temos nada contra o povo norte-coreano”, disse Bush. “Estamos interessados na paz na Península Coreana”.