Copom vê queda gradual da inflação

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 2 de maio de 2003 as 09:13, por: cdb

A inflação está desacelerando, mas permanece mostrando sinais de resistência, segundo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central que manteve em abril a taxa básica de juros em 26,5 por cento ao ano e retirou o viés de alta.

O BC disse que a inflação deve continuar perdendo força no índice referente a abril em resposta à recente apreciação cambial e ao final das pressões dos preços de remédios e dos produtos agrícolas.

O banco afirmou, no entanto, que existe ainda uma “resistência a uma queda mais acentuada nos recentes índices de inflação mensais”. Apesar das expectativas de recuo à frente, ele poderá ser restringido quando ocorrerem reajustes de preços administrados por contrato e monitorados em alguns Estados.

A ata também lembrou que as últimas leituras de inflação ficaram acima das projeções do governo e das expectativas do mercado.

– Os resultados correntes são importantes na medida em que fornecem informações sobre o grau de persistência inflacionária na economia, fator relevante para as perspectivas futuras de inflação – diz um trecho do documento.

Uma sondagem do BC junto a instituições financeiras mostrou que a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano subiu nas últimas três semanas, atingindo 12,47 por cento — bem acima da meta perseguida pelo banco de 8,5 por cento em 2003.

Segundo o banco, com exceção do grupo serviços, todos os outros componentes do IPCA tiveram leituras altas.

A desaceleração gradual da taxa mostra “a existência de um maior grau de inércia na formação de preços na economia”. Esse comportamento, no entanto, pode mostrar-se temporário.

Sobre a retirada do viés de alta – que abria ao BC a possibilidade de alterar os juros entre as reuniões do Copom -. a ata disse que “ainda permanecem dúvidas quanto à velocidade de queda da inflação… (mas) no quadro atual, essas dúvidas não serão esclarecidas no ínterim das reuniões, mas num prazo mais prolongado”.

O BC reduziu sua projeção para os preços administrados este ano, em 1,5 ponto percentual para 15,3 por cento, depois da queda dos custos de derivados de petróleo.

Para 2004, a revisão para baixo em relação à estimativa de março foi de 0,5 ponto percentual, para 8,5 por cento.

As perspectivas para os reajustes da gasolina e do gás de botijão este ano também foram reduzidas desde o último encontro do Copom, passando respectivamente de 12,4 para 8,4 por cento e de 4,2 para 1,6 por cento.

A revisão leva em conta os reajustes já feitos, incluindo a queda dos preços dos combustíveis anunciada no final do mês passado.

A apreciação do real levou o BC a cortar também seus prognósticos para as tarifas de energia elétrica residencial. A queda foi de três pontos percentuais para 24,5 por cento.

A próxima reunião do Copom ocorre nos dias 20 e 21 de maio.