Coordenador da Fipe critica Serra por defender maquiagem de contratos

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 28 de agosto de 2002 as 22:57, por: cdb

Uma das “poucas conquistas” deste governo foi a transparência e, por isso, “sou contra qualquer tentativa de alterar contratos”, disse o professor de economia da USP e coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Heron do Carmo. Ele se referia à declaração do candidato da aliança PSDB-PMDB à presidência da República, senador José Serra, que em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, disse que, se eleito, vai negociar com o Paraguai uma mudança no tratado de Itaipu no que se refere ao preço da energia elétrica, hoje totalmente dolarizado.

Segundo Serra, esta condição tem contribuído para contaminar a economia brasileira. “Isso não é hora para se mexer nisso, não”, disse Heron. “É bem provável que, em termos de porcentagem, tenhamos uma pressão do câmbio menos importante daqui para frente do que a que tivemos de 1999 até agora. O salto do dólar de R$ 2,00 para R$ 3,20 é bem maior do que de R$ 3,20 para R$ 4,00”, afirma.

De acordo com o professor da USP, o câmbio já está ajustado e não seria nada bom para um candidato fazer afirmações como a de Serra. “O que ele poderia dizer que fará, caso seja eleito, é mexer no cálculo da conta. O consumidor residencial tem arcado com boa parte dos custos das empresas de energia elétrica enquanto grandes consumidores estão sendo subsidiados. É nisso que o governo deveria mexer”, diz Heron do Carmo, que insiste em dizer não ver nenhum benefício em se alterar contratos referentes a Itaipu por causa do dólar.

Heron diz também ter a impressão que os cálculos de reajustes das tarifas de energia estejam sendo feitos tomando como base a variação do dólar ponta-a-ponta. O correto, segundo ele, seria pegar a variação do câmbio no longo prazo, uma vez que os picos e vales da cotação da moeda norte-americana seriam amenizados.