Cooperação em biocombustíveis será prioridade com Indonésia 

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Publicado quinta-feira, 2 de junho de 2011 as 10:55, por: cdb

A cooperação bilateral na área de energias renováveis deverá ser a prioridade da atuação do ministro de primeira classe Paulo Alberto da Silveira Soares, indicado para o posto de embaixador brasileiro na Indonésia. Nesta quinta-feira (2), o nome do diplomata recebeu parecer favorável da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE). Também foi aprovada a indicação da atual embaixadora brasileira na Suécia, Leda Lúcia Martins Camargo, para exercer, cumulativamente, o cargo de embaixadora na Letônia.

Paulo Alberto Soares observou que a Indonésia retomou o ritmo forte de expansão econômica depois da crise internacional e deverá alcançar um crescimento de até 7% em 2011. Com 243 milhões de habitantes, informou, aquele país tem uma “classe média em ascensão”, fartos recursos naturais – como carvão, petróleo e gás – e plantações de palma e cana-de-açúcar, que podem ser usada na produção de biocombustíveis.

– Nos próximos cinco a dez anos o etanol vai tornar-se uma commodity, como o petróleo. Imagine milhões de consumidores na Indonésia dirigindo carros flex. Isto geraria empregos e seria uma estratégia revolucionária – afirmou Soares.

A Indonésia integra a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), da qual o Brasil é observador. Ao responder a uma pergunta da senadora Ana Amélia (PP-RS), o embaixador considerou possível, embora não em curto prazo, a celebração de um acordo de livre comércio entre a Asean e o Mercosul. Duas reuniões de chanceleres dos dois blocos já foram realizadas, em 2008 e 2009, como ressaltou. Mas a associação dos blocos ainda depende, a seu ver, de um maior interesse por parte dos três outros sócios do Mercosul – Argentina, Paraguai e Uruguai.

Por outro lado, Soares previu – ao responder a uma questão apresentada pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF) – que a Indonésia poderá ser a próxima integrante do grupo dos Brics, atualmente composto por Brasil, Rússia, Índia, China e, mais recentemente, África do Sul.

A relação da Indonésia com o Timor Leste, país de língua portuguesa que viveu um longo período de ocupação por tropas indonésias, foi tema de preocupação de Ana Amélia e do presidente da comissão, senador Fernando Collor (PTB-AL). Na opinião do embaixador indicado, porém, as relações entre os dois países são “delicadas, mas respeitosas”.

Ao responder ao senador Luis Henrique (PMDB-SC), que demonstrou preocupação com o efeito dos grandes acidentes naturais que afetaram aquela região sobre a economia do país, ele informou ainda que os investimentos externos continuam crescendo.

O senador Blairo Maggi (PR-MT) pediu atenção especial de Soares para a abertura do mercado da Indonésia à exportação de algodão brasileiro. E o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) quis saber se o radicalismo islâmico representaria ameaça à estabilidade política do país. Em resposta, o indicado disse não ver uma “frontal ameaça política” naquele país, onde existe, a seu ver, um islamismo “soft”. 

Acordos 

Durante a mesma reunião, a comissão aprovou pareceres favoráveis a dois Projetos de Decreto Legislativo (PDS) que ratificam acordos internacionais. O PDS 629/10, que teve Luis Henrique como senador ad hocAd hoc é uma expressão latina cuja tradução literal é “para isto” ou “para esta finalidade”. É mais empregada no contexto jurídico. No Legislativo, o relator ad hoc é o parlamentar que, em determinada ocasião, foi escolhido para ler o relatório feito por outro parlamentar, devido à impossibilidade deste último de comparecer à comissão ou ao Plenário. , aprova o Protocolo Adicional ao Acordo-Quadro sobre Meio Ambiente do Mercosul em matéria de cooperação e assistência frente a emergências ambientais”. O acordo permitirá “harmonizar procedimentos para atuação em caso de emergência ambiental”, como afirma o senador em seu parecer.

Já o PDS 125/11, cujo relator foi o senador Cyro Miranda (PSDB-GO), refere-se ao Tratado de Transferência de Pessoas Condenadas firmado pelo Brasil e pela Holanda. Os dois projetos serão agora examinados pelo Plenário.

Marcos Magalhães / Agência Senado