Conversa proibida de Garotinho é publicada em jornal oficial do Rio

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 15 de agosto de 2001 as 20:31, por: cdb

Complica-se a situação do governador fluminense Anthony Garotinho. Embora tenha maioria folgada na Assembléia Legislativa, por conta de um acordo com parcela significativa do PMDB e demais partidos de direita, além do PSB e do PC do B, não conseguiu impedir que as escutas telefônicas publicadas no jornal O Globo, no início deste mês, fossem “legalizadas”, segundo o deputado Paulo Ramos, que leu em plenário as matérias publicadas na Imprensa local e pediu que a transcrição fosse publicada no Diário Oficial da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro desta quarta-feira. As transcrições lidas tratam das duas supostas conversas, uma delas com a participação de Garotinho, em que se teria tratado do suborno de um fiscal da Receita Federal, em 1995.

– Não exibi nenhuma fita de gravação ilegal, mas, se o governador quiser me processar e eu tiver que provar que o diálogo é verdadeiro, poderei ter que apresentar as gravações para me defender. Este foi o caminho que encontrei para que as fitas funcionem como prova – diz o deputado.

Na semana passada, durante a votação de pedidos de CPI contra Garotinho (todos derrubados pela maioria governista), Ramos chegou a ir para o plenário com um gravador, mas foi impedido de tocar a fita pelo barulho de uma claque favorável ao governador, recrutada entre pessoas pobres beneficiadas pelo Estado.

O líder do governo na Assembléia, deputado José Távora (PSB), acusou Ramos de infringir o decoro parlamentar, e até pediu a sua cassação. Ele chegou a ler a decisão judicial que proibiu os jornais de publicar a transcrição das fitas, e requereu à deputada que presidia a sessão, Graça Mattos (PSB), que determinasse que a transcrição lida por Ramos não fosse registrada oficialmente. Apesar dos protestos, a parlamentar indeferiu o pedido, o que abriu caminho para a publicação na edição de hoje do “Diário Oficial”.

“Acredito que a publicação aconteça, porque não tem nada que impeça”, declarou Ramos. Uma das conversar, supostamente, é entre Jonas Lopes de Carvalho Júnior, amigo de Garotinho, e um contador. Outra, presumivelmente, é entre o Jonas e o governador. “Estou cumprindo o meu papel; se alguém quiser tomar alguma providência contra mim, que tome”, desafiou Ramos.

Enquanto isso, em Brasília, o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, ofereceu também nesta quarta-feira, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), denúncia contra o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. Ele é acusado por crime de difamação por ter dito à revista “IstoÉ” que o presidente Fernando Henrique Cardoso permite que a Receita Federal seja usada para fazer política e chantagem. A punição para o crime prevê até dois anos de prisão. Para processar o governador, o STJ precisa obter licença da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.