Controladores protestam em defesa de colega

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 4 de junho de 2007 as 11:07, por: cdb

Cerca de 25 controladores de vôo protestaram na manhã desta segunda-feira, na Câmara dos Deputados, em defesa do colega Jomarcelo Fernandes dos Santos. Ele foi acusado pelo Ministério Público Federal por homicídio doloso eventual por ter deixado o posto de comando no Cindacta 1, em Brasília, no dia do acidente com o avião da Gol, sem avisar seu substituto – Lucivando Tibúrcio de Alencar – de irregularidade na rota do jato Legacy. Os controladores levaram placas com o nome de Jomarcelo.
 
– Nossa intenção é demonstrar que todos os controladores têm relação com Jomarcelo – disse o 3º sargento Carlos Eduardo Alves da Silveira, que participa do protesto organizado pela Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo (ABCTA).
 
A CPI da Crise Aérea começou a ouvir nesta segunda Jomarcelo e os outros três controladores denunciados pelo Ministério Público Federal – Felipe dos Santos Reis, Leandro José Santos Barros e Lucivando Tibúrcio de Alencar.
 
A reunião foi aberta, apesar do pedido da defesa dos controladores para que fosse reservada, uma vez que os depoentes não estão dispostos a responder às perguntas. A idéia é que apenas Lucivando Tibúrcio de Alencar fale e outros se reservem o direito de ficar em silêncio.
 
Controlador reafirma problemas em sistema aéreo
 
Em depoimento à CPI do Apagão Aéreo na Câmara dos Deputados, o controlador Lucivando de Alencar reafirmou nesta segunda-feira os diversos problemas no sistema de tráfego aéreo do Brasil. Segundo o controlador, há complicações em diversos equipamentos e programas usados por eles.
 
– Não nos sentimos seguros de prestar um serviço de qualidade para a população – disse Lucivando. O controlador descartou ainda a falha humana no acidente da Gol em setembro do ano passado.
 
Caos aéreo também em vôos para Europa

Na madrugada do dia 27 de maio, os vôos rumo à Europa pelo Atlântico ficaram sem controle de tráfego aéreo, de acordo com registro do livro de ocorrências do Cindacta-3 (Recife), responsável por parte do trajeto. O caso já virou foco de uma sindicância interna no centro.
 
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o livro de ocorrências é o documento oficial interno da situação operacional. A falha deixou 30 aviões sem contato.
 
A Aeronáutica foi procurada durante a última semana para explicar o ocorrido. Em conseqüência disso, foi aberta uma sindicância para investigar o vazamento à imprensa.
 
Na sexta, a Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo (ABCTA) emitiu um “boletim de segurança” orientado os associados a não realizar vigilância radar se houver falhas e até a encerrar totalmente o controle aéreo se não houver freqüências funcionando ou autorizadas para determinado setor.
 
A assessoria de imprensa da FAB confirmou a autenticidade da cópia do documento enviado ao jornal, mas nega o conteúdo – insinua que trecho foi forjado.