Contraf quer audiência com Mantega sobre demissões em massa nos bancos

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Publicado segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 as 09:36, por: cdb

Contraf quer audiência com Mantega sobre demissões em massa nos bancos

Para entidade, empresas cortam postos de trabalho para garantir manutenção de lucros gigantes após redução dos juros, do spread e das tarifas

Por: Raimundo Oliveira, da Rede Brasil Atual

Publicado em 10/12/2012, 11:20

Última atualização às 11:20

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São Paulo – A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) quer uma audiência com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para discutir o processo de reestruturação no sistema financeiro, que tem provocado demissões em massa nos bancos.

Em ofício assinado pelo presidente da Contraf, Carlos Cordeiro, e pelo secretário de Imprensa, Ademir Wiederkehr, a confederação expressa preocupação com os cortes, a ampliação do crédito e a qualidade do atendimento à população, propondo que o governo busque medidas que garantam o emprego e os interesses da sociedade.

De acordo com a entidade, os ajustes nos bancos começaram após a política de redução nas taxas de juros, no spread e nas tarifas bancárias que o governo federal adotou para estimular o crescimento econômico.

A confederação aponta demissões no Itaú, Santander e Citibank como exemplos. Segundo a Contraf, no Itaú, mesmo com lucro de R$ 10,1 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, o maior banco privado do país cortou 7.831 postos de trabalho. O Citibank anunciou na quarta-feira (5) o fechamento de 14 das 98 agências no Brasil.

E o Santander Brasil, que teve lucro gerencial de R$ 4,7 bilhões nos três primeiros trimestres do ano, começou na semana passada um processo de demissões que só foi suspenso por determinação da desembargadora Rilma Aparecida Hemetério, vice-presidente judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, ao deferir liminar pedida em ação do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

“Desta forma, é inaceitável que os trabalhadores paguem a conta desses ajustes dos bancos para manter os seus lucros gigantescos e continuar se apropriando da renda do país, na contramão da política de crescimento com desenvolvimento econômico e social, inclusão e redução das desigualdades”, afirma Cordeiro no ofício encaminhado ao ministro.

Para a Contraf, como concessões públicas, os bancos precisam contribuir com o desenvolvimento sustentável do Brasil e garantir contrapartidas para a sociedade por conta dos excelentes resultados que vêm acumulando, “como abertura de mais vagas, fim da rotatividade e melhores condições de trabalho, bem como mais oferta de crédito com juros menores para incentivar a produção e o consumo, a geração de novos empregos, a distribuição de renda e o combate à miséria”,