Construção de submarinos vai impulsionar economia e desenvolvimento tecnológico

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Publicado domingo, 2 de maio de 2010 as 11:39, por: cdb

O pacote de reaparelhamento militar e transferência tecnológica da Marinha, assinado entre o Brasil e a França, soma 6,7 bilhões de euros. Envolve a construção de quatro submarinos convencionais Scorpene e um nuclear, uma base, um estaleiro, uma unidade de estruturas metálicas, equipamentos e armamentos, incluindo torpedos e mísseis.

Mas o dinheiro não é apenas uma forma de garantir soberania militar ao Brasil, principalmente para proteger as imensas reservas de petróleo do pré-sal. Segundo o almirante-de-esquadra José Alberto Fragelli, coordenador-geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear, esse investimento terá impacto em centenas de empresas nacionais, com o avanço tecnológico.

– O ciclo do combustível nuclear traz uma tecnologia que depende de muitas fábricas fornecerem certos materiais que elas não sabem ainda como são e estão aprendendo a fazer –, afirmou.

Fragelli citou como exemplo o fornecimento das baterias usadas para mover os submarinos. Uma fábrica de São Paulo se dispôs a investir em uma linha de produção específica, desenvolvendo tecnologia própria.

– O Scorpene terá 360 elementos de bateria. Cada elemento pesa cerca de 550 quilos. Essa empresa, com isso, também fornecerá baterias para outras Marinhas no mundo –, exemplificou o almirante.

Segundo ele, existem cerca de 600 mil componentes em um submarino nuclear e 200 mil no caso do Scorpene.

Para ele, a produção dos submarinos brasileiros vai representar um importante impulso de trabalho na cadeia produtiva.

– Vai gerar cerca de 5 mil empregos diretos e 20 mil indiretos. Essas fábricas todas vão começar a produzir não só para o Brasil, mas para exportação. O reator [nuclear] que vamos fazer poderá ser utilizado por cidades pequenas para gerar energia elétrica para até 50 mil habitantes –, destacou Fragelli.