Conselho de Segurança defende papel da ONU no pós-guerra

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 3 de abril de 2003 as 18:13, por: cdb

A maior parte do Conselho de Segurança expressou nesta quinta-feira, seu desejo de que a ONU tenha um papel fundamental no futuro desenvolvimento político e na reconstrução econômica do Iraque.

“A posição do Reino Unido é de que a ONU tenha o papel principal, dentro de suas capacidades, mas que não esteja subordinada a nenhuma presença sobre o terreno”, afirmou o embaixador britânico, Jeremy Greenstock.

“A ONU deveria trabalhar com as autoridades iraquianas e com a comunidade internacional da maneira que for para que o Iraque volte a funcionar econômica e politicamente”, disse Greenstock.

As declarações de Greenstock foram dadas na entrada do Conselho de Segurança, onde os 15 países membros se reuniram em consultas regulares para tratar da situação humanitária no Iraque, assim como o papel da Missão de Observação da ONU na fronteira do Iraque e do Kuwait (Unikom).

Embora o tema que dominou a reunião do Conselho de Segurança seja a situação humanitária, a reconstrução política e econômica do Iraque esteve na mente dos delegados, especialmente depois da ambigüidade que a Casa Branca mantém a respeito.

O embaixador russo, Sergei Lavrov, também expressou seu desejo de que a ONU adote um papel central na reconstrução do Iraque, mas antes disso afirmou que “a ONU deveria atuar o mais rápido possível para acabar com o conflito”.

Por sua parte, o embaixador alemão, Gunter Pleuger, declarou que era muito cedo para falar da estrutura do Iraque no pós-guerra, mas mostrou seu convencimento de que a ONU ocupará um papel primordial.

“Será necessário que a ONU assuma a responsabilidade, dada a experiência que tem no campo, como se viu, por exemplo, no Afeganistão, onde a comunidade internacional está tendo um papel importante”, declarou Pleuger.

Para o embaixador espanhol, Inocencio Arias, o como e quando ainda está para se decidir, porém se pronunciou a favor de que o organismo internacional tenha um papel proeminente o mais rápido possível, embora “para isso seja necessário que o país alcance a paz”.

O representante do Paquistão na ONU, Munir Akram, também concordou com seus homólogos e afirmou que “a maioria dos países do Conselho concorda que a ONU deve ser a responsável por assumir a responsabilidade de reconstruir e reabilitar o Iraque”.

Por sua parte, o embaixador americano, John Negroponte, manteve a ambigüidade mostrada pelo secretário de Estado americano, Colin Powell.

O chefe da diplomacia americana disse em Bruxelas que as forças anglo-americanas que atualmente dirige a ofensiva militar contra o Iraque tenha destaque na definição da etapa posterior ao regime de Saddam Hussein.

No entanto, Powell também disse que a ONU desempenhará um papel no pós-guerra do Iraque.

“Não existe dúvida de que a ONU terá seu papel. Mas a definição de qual será, assim como a participação de outros atores no palco do Iraque do pós-guerra ainda será determinado. Se está discutindo nas capitais e será possivelmente debatido no Conselho de Segurança, mas por enquanto não estamos preparados para dar detalhes”, declarou Negroponte.