Congresso dos EUA proíbe apoio ao batalhão ucraniano Azov

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Publicado sexta-feira, 12 de junho de 2015 as 14:35, por: cdb
A notícia foi saudada pelo ministério das Relações Exteriores da Rússia
A notícia foi saudada pelo ministério das Relações Exteriores da Rússia

 

O Congresso norte-americano aprovou uma emenda apresentada pelo congressista John Conyers proibindo os EUA de treinar guerrilheiros do grupo ultranacionalista ucraniano Azov. A informação foi publicada no site oficial de Conyers.

 Destacou-se que na mesma sessão foi igualmente aprovada uma resolução proibindo os EUA de fornecer sistemas portáteis de defesa aérea ao Iraque e à Ucrânia.

– Sou grato à câmara dos representantes pela aprovação unânime de minhas emendas, confirmando que as nossas forças armadas não irão treinar o odioso batalhão neonazista Azov. Agradeço igualmente pelo apoio às minhas tentativas de não permitir que os leves e perigosos sistemas portáteis de defesa aérea cheguem à regiões instáveis” – diz o comunicado.

A notícia foi saudada pelo ministério das Relações Exteriores da Rússia, que destacou o fato de o Congresso norte-americano ter precisado de mais de um ano para perceber que o grupamento Azov representa “uma junta de verdadeiros nazistas”.

– Antes tarde do que nunca –  disse Aleksander Lukashevich, representante oficial da chancelaria russa.

Nas palavras do diplomata, o próximo passo lógico seria o de reconhecer finalmente que o golpe de Estado ocorrido em Kiev no ano passado, e ativamente apoiado por Washington, foi promovido pelos mesmos jovens nazistas.

– É óbvio que outros grupamentos da Guarda Nacional da Ucrânia não são nem pouco melhores que Azov. Os crimes sangrentos de nacionalistas ucranianos, que queimaram habitantes de Odessa vivos e que continuam a matar mulheres e crianças em Donbass, falam por si sós há tempos. Resta apenas saber quando Washington vai querer notá-los – frisou Lukashevich.

Diversas agências de notícias internacionais tem frisado a participação de muitos nacionalistas e nazistas nas unidades voluntárias da Guarda Nacional ucraniana, incluindo o regimento Azov.

Em abril quase 300 militares norte-americanos chegaram à Ucrânia para participar de treinamentos conjuntos ucraniano-americanos Fearless Guardian 2015 na região de Lvov. Durante seis meses militares norte-americanos irão treinar soldados da Guarda Nacional da Ucrânia e representantes dos centros de treinamento das Forças Armadas ucranianas.

A chancelaria russa considera a presença dos militares norte-americanos na Ucrânia como uma violação dos Acordos de Minsk e diz que o processo de treinamento dos soldados ucranianos para o uso de equipamentos militares ocidentais pode ser o primeiro passo para o fornecimento de armas norte-americanas modernas à Ucrânia.

Desde meados de abril de 2013 a Ucrânia começou a realizar uma operação militar para atacar as forças independentistas no leste da Ucrânia. Estas não reconhecem a legitimidade das novas autoridades ucranianas que chegaram ao poder após um golpe de Estado em Kiev. Os Acordos de Minsk, assinados pelo “quarteto da Normandia” (Alemanha, Rússia, França e Ucrânia) em 12 de fevereiro de 2014, prevêem a retirada de tropas e o cessar-fogo completo, mas os representantes de Donetsk e Lugansk têm repetidamente declarado que Kiev viola os acordos.