Congresso dos EUA aprova pacote de US$ 3 bi para companhias aéreas

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 4 de abril de 2003 as 12:10, por: cdb

O Congresso dos Estados Unidos aprovou pacotes de ajuda que somam pelo menos US$ 3 bilhões para as companhias aéreas americanas, apesar de objeções da Casa Branca.

O pacote de ajuda é uma resposta às reclamações das empresas aéreas de que a guerra no Iraque está provocando uma queda sem precedentes na venda de bilhetes, em um momento em que as principais companhias do setor já estavam frágeis.

Duas propostas separadas foram aprovadas: um pacote de US$ 3,2 bilhões da Câmara e outro de US$ 3,5 bilhões do Senado.

A Casa Branca reclama que as empresas estão recebendo ajuda muito rapidamente e considerou excessivos os valores de cada projeto. O Executivo americano disse que trabalharia com as duas casas do Congresso para chegar a um pacote mais barato.

Segundo pacote

O governo do presidente americano, George W. Bush, quer que as empresas aéreas se comprometam com medidas mais fortes de reestruturação e corte de gastos antes da aprovação de um pacote de ajuda.

Os congressistas conseguiram contornar as objeções da Casa Branca incluindo o pacote de ajuda às companhias aéreas no projeto de US$ 80 bilhões em financiamentos para o Iraque, uma proposta que Bush queria ver aprovada rapidamente.

Essa é a segunda maior injeção de recursos para o setor de aviação comercial em menos de dois anos.

Depois de 11 de setembro de 2001, o Congresso aprovou um pacote de ajuda global de US$ 15 bilhões, que vêm sendo liberados caso a caso desde então.

Nos últimos 18 meses, cerca de 100 mil empregados do setor perderam o emprego, como parte das medidas adotadas por empresas para se ajustarem a um ambiente de queda de demanda e aumento de custos.

Críticas

Apesar das demissões em massa, dentro do governo americano há críticas pelo fato de não ter havido uma grande reestruturação do setor, como por exemplo a inexistência de fusões.

Autoridades americanas questionam também o tamanho da atual crise, argumentando que as companhias aéreas podem estar exagerando a situação para aumentar o valor da ajuda.

“Se não mudarmos esse processo, estaremos criando uma Amtrak no ar”, alertou Jeff Flake, parlamentar republicano do Arizona, referindo-se à empresa nacional de ferrovias que depende de recursos estatais para sobreviver.

Os congressistas fizeram concessões as essas reclamações e incluíram uma previsão de que a liberação de ajuda está condicionada à limitação de salários aos principais executivos das empresas.

Os projetos do Senado e da Câmara oferecem praticamente o mesmo valor em ajuda, mas estão estruturados de forma diferente – o que pode criar dificuldades na redação de uma proposta única.

O projeto da Câmara é concentrado em injeção de novos recursos nas empresas. A proposta do Senado se concentra em perdoar determinadas obrigações financeiras, o que pode ser menos atraente para empresas com necessidade de caixa.

No entanto, devido à resistência da Casa Branca, é provável que nenhum dos dois projetos entre em vigor sem alterações.