Congresso colombiano recebe críticas do presidente

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Publicado segunda-feira, 24 de novembro de 2003 as 02:30, por: cdb

O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, criticou no último domingo o Congresso, ao apontar que alguns parlamentares condicionam a aprovação de leis a cargos burocráticos ou ajudas de fundos estatais.

– O pior que pode acontecer na Colômbia é que se continue comprando o parlamento com cargos e auxílios – disse o presidente, durante uma reunião com políticos e autoridades regionais na cidade caribenha de Cartagena.

Uribe citou o fato de que congressistas se opõem, por questões políticas, ao aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) proposto por seu governo como parte de uma reforma tributária.
 
– Então o parlamento diz: ‘quero me opor ao IVA, mas não posso porque irão me tirar cargos’. Isto não pode continuar acontecendo na Colômbia. Nem podemos, com o clientelismo, continuar deixando órfãos os partidos – criticou.

O presidente alertou que ‘quando se lida com as coisas com politicagem, cargos públicos e ajudas, gera-se uma calma aparente que termina numa morte imperceptível dos partidos e das instituições democráticas. A crise real é quando tudo é encoberto com cargos e ajudas, e não se permite que as diferenças e alternativas programáticas aflorem. Este é um debate muito importante que tem que acontecer na Colômbia’.

A senadora Piedad Córdoba, presidente do majoritário Partido Liberal, afirmou que as críticas do presidente estão dirigidas a congressistas uribistas que, nas últimas semanas, deixaram de apoiá-lo.

– As forças políticas agem com independência e apóiam o governo naquilo que consideram bom, ou não apóiam quando acham que algo não é conveniente para o país – apontou o presidente do Partido Conservador, Carlos Holguin.

Esta semana, o Congresso colombiano rejeitou um pacote financeiro com o qual o governo pretendia obter recursos de US$ 1,025 bilhão para 2004. A rejeição à iniciativa colocou o Executivo contra a parede, após o fracasso de um referendo que incluía medidas de ajuste econômico e anticorrupção.