Congresso aprova redução de impostos apresentado por Bush

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Publicado sexta-feira, 23 de maio de 2003 as 19:16, por: cdb

O Congresso americano aprovou o pacote de redução de impostos apresentado pelo presidente George W. Bush, estimado em US$ 350 bilhões, menos da metade do total que o governo queria inicialmente.

Tanto a Câmara dos Representantes como o Senado aprovaram o plano de dez anos, que segundo a Casa Branca tem o objetivo de estimular a economia americana.

O plano estava causando polêmica, já que muitos economistas afirmam que ele vai aumentar o déficit público americano, o que pode enfraquecer ainda mais o dólar, sem necessariamente beneficar boa parte dos americanos.

No Senado, o voto de desempate do vice-presidente, Dick Cheney, foi necessário para que o projeto fosse aprovado.

Vitória

Bush e seus partidários imediatamente declararam vitória em relação ao projeto de lei, mesmo com o presidente descrevendo os US$ 350 bilhões como “muito pouco” em relação ao proposto inicialmente.

O pacote “tem força suficiente para ajudar a economia antes das eleições”, segundo Stephen Moore, chefe do comitê de ação política conservador Club for Growth.

Mas os críticos afirmam que não apenas o plano não vai conseguir provocar o crescimentos que os seus defensores prometem, mas vai levar a economia dos Estados Unidos ainda mais para o vermelho.

Mesmo o jornal Wall Street Journal, normalmente defensor de projetos dos conservadores americanos, expressou preocupação, dizendo que o pacote inclui brechas que efetivamente significam que os muito ricos podem evitar pagar impostos.

Os democratas no Senado apontaram falhas que podem inflacionar o custo real do pacote para mais de US$ 500 bilhões.

Saque

– Esse projeto é um das mais perigosas e destrutivas e desonrosas leis do governo que eu já vi – disse o senador Mark Dayton, do Minnesota.

– É um saqueamento vergonhoso do tesouro federal pelos ricos e poderosos na América, graças a seus amigos no Congresso – completou.

Outros alertaram que direcionar os cortes nos impostos para a parcela rica da população resultaria em poucos gastos novos, em um momento em que os governos estaduais estão cortando custos para evitar a falência.

O pacote inclui US$ 20 bilhões em fundos de emergência para os Estados.

O principal ponto do pacote é o corte nos impostos sobre dividendos e ganhos de capital, um objetivo-chave para os chamados neo-conservadores que dirigem o partido Republicano.

A alíquota mais alta vai baixar de 20% para 15%, de 2003 até 2008. Ela deve voltar ao patamar de 20% em 2008.