Confronto continua no Iêmen apesar de trégua humanitária

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Publicado sexta-feira, 15 de maio de 2015 as 11:15, por: cdb
Combatentes dos Comitês de Resistência Popular levam companheiro ferido para o hospital após confronto com rebeldes houthis no Iêmen
Combatentes dos Comitês de Resistência Popular levam companheiro ferido para o hospital após confronto com rebeldes houthis no Iêmen

 

Pelo menos 10 pessoas foram mortas durante conflitos intensos no Iêmen nesta sexta-feira, apesar de uma trégua humanitária de cinco dias, enquanto prosseguia a distribuição de ajuda para milhões de pessoas que estão há semanas sem comida, combustível e remédios devido aos combates e a ataques aéreos.

A Arábia Saudita, que lidera a aliança de Estados árabes apoiados pelo Ocidente, tem combatido as forças rebeldes houthis, aliadas do Irã, e combatentes leais ao ex-presidente do Iêmen Ali Abdullah Saleh desde 26 de março, com objetivo de restaurar o presidente exilado Abd-Rabbu Mansour Hadi.

O cessar-fogo, que começou na terça-feira, parecia estar sendo respeitado em grande parte do país nesta sexta-feira, apesar de confrontos terrestres pesados entre milícias locais e os houthis na cidade de Taiz, disseram moradores. Uma fonte médica disse que 10 foram mortos. Também foram relatados confrontos na cidade de Dhale nesta sexta-feira, mas não houve informações de mortes.

– Nada mudou com a trégua. Pessoas ainda estão lutando e os houthis ainda estão no controle – disse Alawi al-Afouri, morador da cidade de Áden.

O coordenador humanitário da ONU para o Iêmen pediu nesta sexta-feira que a aliança liderada pela Arábia Saudita diminuísse as inspeções em cargas para o Iêmen para permitir a entrada de bens comerciais e humanitários vitais no país.

Nesta sexta-feira, a Organização Mundial de Saúde disse que estava aumentando carregamentos de suprimentos médicos para o Iêmen durante a pausa humanitária.

Líderes iranianos

Uma autoridade sênior iraniana classificou o rei Salman, da Arábia Saudita, de traidor do islã nesta quinta-feira, e equiparou o ataque militar saudita contra combatentes aliados ao Irã no Iêmen com ações de Israel contra palestinos.

O chefe do comitê de Segurança Nacional e Política Externa do Irã, Alaeddin Boroujerdi, fez as declaraçõe um dia após o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, acusar a Arábia Saudita de “crimes”, e o vice-chefe militar do Irã alertou Riad para “guerra” caso atacasse o navio de ajuda iraniano que segue para o Iêmen.

– Os sauditas cometeram um grande erro no Iêmen e os impactos dos crimes que cometeram certamente irão se voltar contra eles – disse Khamenei durante visita do presidente do Iraque, Fouad Massoum, na quarta-feira, relatou a agência de notícias Irna.

Uma aliança de nações árabes do Golfo Pérsico, liderada pela Arábia Saudita, está bombardeando os rebeldes houthis e unidades militares aliadas que controlam grande parte do Iêmen desde 26 de março, no que dizem ser uma tentativa de restaurar o poder do presidente exilado Abd-Rabbu Mansour Hadi.

O Irã afirma que não vai permitir que forças navais lideradas pela Arábia Saudita inspecionem um navio de carga com destino ao Iêmen sob escolta militar, após a entrada em vigor de uma trégua na terça-feira.