Conflito étnico deixa pelo menos 120 mortos no Congo

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Publicado segunda-feira, 28 de abril de 2003 as 18:55, por: cdb

Pelo menos 120 pessoas foram mortas em dois dias durante conflitos étnicos em Ituri, nordeste do Congo. A informação é de líderes tribais.

– Nós estamos recebendo a mesma informação de várias fontes… e o número pode ser até maior que esse -, disse Behrooz Sadry, chefe da missão da Organização das Nações Unidas (ONU) no Congo.

Em entrevista por telefone da capital congolesa Kinshasa, Sadry disse que a ONU não pode confirmar os fatos devido a falta de segurança na região. Thomas Lubanga, chefe do comando Hena da rebelde organização União dos Patriotas do Congo, disse por meio de um telefone por satélite em Ituri, que ao menos 60 homens, mulheres e crianças da comunidade Hema foram mortos na última sexta-feira (25) numa emboscada feita pela comunidade rival Lendu quando se aproximavam de Uganda, fugindo da violência.

Os Lendu atacaram em retaliação a chacina de mais de 60 membros do grupo realizada pela milícia Hema liderada pelo chefe Yves Kahwa Mandro, próximo da cidade de Kasenyi, a 15 quilômetros a oeste da fronteira com a Uganda, de acordo com Lubanga. O ataque de Kahwa teria sido realizado para desarmar as fortes guarnições de Lendu, o seu tradicional rival.

As duas comunidades já lutavam pelo controle da terra e outros recursos no passado, mas os conflitos eram pequenos, uma vez que as armas utilizadas eram flechas, lanças e facões. No entanto, os embates tornaram-se mais violentos depois que os governos de Uganda e Congo armaram as tribos a fim de utilizá-las como guerreiros defendendo os interesses de cada governo no comando do grande depósito de minerais de Ituri, vastas florestas para exploração de madeira, terras férteis e campos de pouso estratégicos quando a guerra civil irrompeu no Congo em agosto de 1998.

A guerra no Congo teve início quando Ruanda e Uganda enviaram tropas para ajudar os rebeldes a destituírem o então presente Laurant Kabila, acusado de ter armado insurgentes e colocando em risco a segurança regional. Kabila assumiu o poder em 1997, após derrubar o ditador Mobutu Sese Seko. A maioria das tropas estrangeiras dos seis países que apoiou a queda de Kabila foi desligada após ocorrer uma série de acordos de paz.