Condições na infância afetam fertilidade de mulheres, diz estudo

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Publicado domingo, 20 de maio de 2007 as 14:52, por: cdb

As condições em que as meninas são criadas podem afetar sua fertilidade na idade adulta, segundo sugere um estudo recém-publicado de pesquisadores da University College London.

O estudo, publicado pela revista científica PLoS Medicine, monitorou os níveis de hormônios em mulheres que imigraram de Bangladesh para a Grã-Bretanha em diferentes estágios de suas vidas.

As mulheres que haviam passado sua infância nas condições mais saudáveis da Grã-Bretanha tinham níveis mais altos de hormônios reprodutivos do que aquelas que haviam crescido em Bangladesh.

Segundo a equipe de pesquisadores, na Grã-Bretanha as mulheres teriam acesso a melhores condições sanitárias e cuidados com a saúde, e menos riscos de doenças.

Eles descobriram que as mulheres que haviam passado suas infâncias na Grã-Bretanha haviam alcançado a puberdade mais cedo e tinham níveis do hormônio progesterona até 103% mais altos na idade adulta em comparação àquelas que imigraram mais tarde ou permaneceram em Bangladesh.

Esses níveis mais altos de progesterona aumentam a capacidade da mulher de ficar grávida.

Porém uma das autoras do estudo, Gillian Bentley, alerta que os níveis de hormônio observados também podem ter impactos negativos para a saúde.

– O significativo aumento nos níveis de progesterona que documentamos em mulheres imigrantes podem resultar, por exemplo, em riscos mais altos de câncer de mama nas gerações subseqüentes – comenta.

Vantagem evolutiva

Os resultados do estudo sugerem que a primeira infância é crítica em determinar a velocidade na qual as meninas amadurecem e o nível dos seus hormônios de reprodução na idade adulta.

Segundo a pesquisadora-chefe Alejandra Nuñez de la Mora, as meninas que imigraram mais cedo amadureceram mais cedo.

Para ela, o corpo feminino poderia monitorar seu ambiente durante a infância para avaliar quando e em que velocidade seria melhor para amadurecer.

– Essa é uma vantagem em termos evolutivos, já que faz o melhor uso dos recursos e da energia disponível para reprodução em qualquer circunstância – disse.

Isso faria sentido porque quando a energia é limitada, precisa ser dividida entre todas as funções corporais, para que quando as condições melhorem mais energia possa ser revertida para a reprodução.