Condenado por assassinato de menina consegue liberdade condicional

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Publicado quarta-feira, 24 de dezembro de 2003 as 02:13, por: cdb

Uma pane nos computadores da Secretaria de Estado da Defesa Social obrigaram o detento Wellington Gontijo Ferreira – condenado pelo assassinato da menina Míriam Oppenheimer Leão Brandão, que na época tinha cinco anos – a ficar mais um dia na cadeia.

Apesar de ser um dos autores de um dos crimes mais hediondos ocorridos em Minas, Wellington – que cumpre pena de 21 anos na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem – teve a liberdade condicional concedida na última segunda-feira pelo juiz da Vara de Execuções Penais dessa cidade, Renan Chaves Carreira Machado.

O atraso na libertação se deve à necessidade da direção da penitenciária, antes de libertar qualquer preso, realizar uma busca no sistema de computadores da Justiça a respeito de qualquer pendência legal que impeça a libertação, como um mandado de prisão expedido em outro estado do país, por exemplo.

Com isso, a expectativa do diretor do presídio, coronel Alvenir José da Silva, é de que Wellington volte para as ruas na manhã desta quarta-feira. A perspectiva de libertação de Wellington foi antecipada com exclusividade pelo ‘Hoje em Dia’ em sua edição do último dia 17.
Mas, até o início da noite da última terça-feira, o Ministério Público ainda tentava reverter a libertação.

O promotor Carlos Alberto Isoldi, também da Vara de Execuções Penais de Contagem, impetrou um pedido de mandado de segurança ao Tribunal de Justiça sob a alegação de que Wellington não teria condições legais de ser libertado. Além disso, o promotor endereçou ao juiz de sua vara, com o mesmo argumento, um recurso de agravo em execução contra a liberdade condicional.

No Tribunal de Justiça, o mandado seria julgado por uma equipe de plantão e o resultado poderia ser conhecido ainda na noite de terça.

O assassinato de Míriam Brandão completou 11 anos na última segunda-feira. A menina foi seqüestrada, morta por asfixia e depois teve o corpo esquartejado e incinerado junto a pneus no quintal de uma casa no Bairro Santa Cruz, em Belo Horizonte.
 
O seqüestro foi planejado pelo irmão de Wellington, William Gontijo Ferreira, condenado a 32 anos de prisão. Eles disseram que não pretendiam matar a criança. Segundo Délcia Barnabé, da Pastoral Carcerária, que conversou com Wellington na manhã de terça-feira, o detento pretende ir para a casa de parentes no interior do Estado.
 
– Ele estava tranqüilo – disse.

Sentimento oposto toma conta da família da vítima, em especial da empresária Jocélia Maria de Castro Leão, mãe de Míriam Brandão, que mora em BH. Ela decidiu viajar para o interior, onde se reuniria com familiares para definir se continuará morando na capital ou se mudará para outra cidade.

– Quero definir o que fazer da minha vida. Quero ouvir os conselhos do meu irmão e de outros parentes, porque até agora não consegui ter paz e tranqüilidade – lamenta.

– Imagina o que é receber a notícia dessa decisão da Justiça no aniversário de morte de minha filha. O juiz cumpriu o que determina a lei, mas a verdade é que eu me sinto punida – afirmou.