Companhias americanas estão cobrando pela comida no avião

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Publicado segunda-feira, 13 de janeiro de 2003 as 17:20, por: cdb

Quem já não é muito fã das bandejas de comida oferecidas a bordo dos aviões terá de torcer muito contra a mais nova experiência de companhias aéreas americanas para cortar custos e aumentar a receita nos vôos. A oitava maior companhia aérea norte-americana, a America West, passou a cobrar de US$ 3 a US$ 10 de quem quiser consumir algum dos pratos servidos a bordo. E a Northwest já anunciou que vai vender, a partir do dia 15, pratos de qualidade diferenciada que passará a oferecer nos vôos. As medidas estão sendo postas em prática por períodos de testes, mas se a idéia vingar, é bem possível que se torne uma tendência a ser seguida por companhias de todo o mundo.

Por aqui, segundo as companhias aéreas brasileiras, ainda é muito cedo para os passageiros se preocuparem em separar mais dinheiro para as viagens – ou, ainda, tentarem embarcar com lanche trazido de casa. À exceção da Gol, que desde a sua entrada no mercado justifica o modesto serviço de bordo com tarifas mais baixas, as outras companhias evitam deixar transparecer para os passageiros as tentativas de economizar nas refeições servidas no ar.

“Mas dá para ver que a qualidade e a quantidade da comida servida a bordo têm piorado nos últimos anos”, afirma a consultora hoteleira Roberta Oncken, acostumada a voar pelo menos duas vezes por mês. “Não sou contra a cobrança pelo serviço, desde que a passagem fique mais barata para quem não quiser comer”, sugere ela, que vê com ceticismo a possibilidade de as companhias brasileiras adotarem esse sistema.

“O serviço de bordo é mais uma tradição do que uma obrigatoriedade. Mas se é para oferecer, precisa ter qualidade”, diz uma funcionária de uma das maiores companhias brasileiras, lembrando que as refeições entram na categoria dos serviços de entretenimento oferecidos aos passageiros.

Mas o agrado pode sair caro. Um bom exemplo foi revelado na semana passada pela American Airlines, a maior companhia aérea do mundo, que desembolsou US$ 778 milhões no ano passado para cobrir os gastos com o serviço de bordo.

A própria America West já havia deixado de servir refeições a bordo logo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, e agora só oferece comida nos vôos mais longos.

No caso da brasileira TAM, cerca de 4% do faturamento do ano passado foi gasto com a alimentação servida a bordo, o que inclui o transporte do material no aeroporto e seu acondicionamento nas aeronaves. Mesmo assim, a companhia estreou recentemente um novo cardápio, com pratos mais sofisticados – sobretudo na classe executiva dos vôos internacionais – e uma novidade: os passageiros podem comprar vinhos oferecidos a bordo, para depois recebê-los em casa.

Chefs
Já a Varig convoca anualmente chefs de restaurantes famosos, que ficam responsáveis pela elaboração dos pratos servidos nas classes mais caras. Para os vôos curtos, como os da ponte aérea Rio-São Paulo, há o serviço Bistrô Express, com cardápios mais leves. Mas a principal estratégia para economizar nos gastos é percebida logo que se abre a caixinha das refeições, que traz na tampa mensagens publicitárias, cujo faturamento ajuda a pagar pelo serviço.

A Vasp informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a hipótese de cobrar pelo serviço de bordo não é cogitada pela empresa, mas confirmou a busca de redução de gastos, desde que não prejudique a qualidade dos serviços. A empresa mantém, por exemplo, uma cozinha experimental, onde uma nutricionista desenvolve todo o cardápio dos vôos, que é repassado para as empresas de catering, como são chamadas as fabricantes das refeições.

No Brasil, as empresas desse segmento evitam comentar a esperada queda nas vendas provocada pela crise das companhias aéreas, que vêm reduzindo vôos e buscando condições mais vantajosas nos novos contratos de fornecimento.

Mesmo assim, o volume de refeições comercializado ainda é de abrir o apetite pelo negócio. Uma das maiores empresas de catering em atuação no País, a multinacional Gate