Comitê dos EUA chama obesidade infantil de crise nacional

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Publicado quinta-feira, 30 de setembro de 2004 as 14:30, por: cdb

As crianças norte-americanas estão cada vez mais gordas, e tanto pais como escolas, governo, anunciantes e a indústria alimentícia precisam tomar providências para combater o problema, disse um conjunto de especialistas na quinta-feira.

O relatório sobre obesidade infantil do Instituto de Medicina não pede leis radicais, mas propõe medidas polêmicas como embalagens de alimentos mais informativas e um envolvimento das escolas no monitoramento do peso e da saúde dos estudantes.

O instituto, um grupo independente que assessora o governo federal dos Estados Unidos em questões de saúde, nomeou um comitê formado por pediatras, educadores, especialistas da indústria e advogados para analisar a obesidade infantil.

“Hoje, aproximadamente 9 milhões de crianças de mais de 6 anos de idade são consideradas obesas”, diz o relatório.

Elas têm grande risco de desenvolver diabete e doenças cardíacas. Um estudo publicado esta semana mostrou que crianças obesas de 7 anos de idade já apresentam sinais de danos a suas artérias.

“Precisamos agir agora, e precisamos fazer isso como nação”, disse o chefe do comitê, Jeffrey Koplan, da Universidade Emory, em Atlanta, e ex-diretor dos Centros para Controle e Previsão de Doenças dos EUA.

Segundo o relatório, devem ser estabelecidos padrões nutricionais para todos os alimentos e bebidas servidos em escolas, incluindo as máquinas de guloseimas e refrigerantes.

O comitê, formado por 19 especialistas, também recomendou a volta às escolas da educação física e a criação de novos programas para obrigar as crianças a se exercitarem pelo menos uma hora por dia. Também aconselha que o peso dos estudantes seja verificado todo ano.

De acordo com o grupo, as indústrias alimentícia, de bebida e do entretenimento devem criar, voluntariamente, diretrizes para a venda de comida e bebida para crianças, talvez inspiradas nas diretrizes voluntárias para a promoção do álcool.

Os restaurantes devem se esforçar mais para oferecer alternativas saudáveis, e devem informar a quantidade de calorias e os dados nutricionais.

Outra recomendação é que a embalagem sempre traga a quantidade de caloria que normalmente é ingerida naquele tipo de produto, em vez do sistema padronizado. Por outro lado, se o alimento for saudável, talvez as embalagens pudessem dizer isso com mais clareza.

Para os pais, o grupo de especialistas disse que eles devem incentivar as refeições saudáveis e a prática de exercícios. Um modo de começar a fazer isso é limitar o tempo das crianças na frente da TV ou do computador em duas horas por dia, ou menos.

Pesquisas realizadas pela Fundação Família Kaiser mostraram que quase 25 por cento das crianças de 8 anos ou mais vêem TV por mais de cinco horas por dia, e que crianças de menos de 6 anos passam uma média de duas horas por dia assistindo à TV ou jogando no computador ou em videogames.

A fundação estimou que uma criança típica assista a cerca de 40 mil comerciais por ano na TV, a maioria de doces, sucrilhos, refrigerante e fast food. As indústrias alimentícias e de bebida gastam pelo menos 10 bilhões de dólares por ano em propagandas direcionadas à criança e ao jovem, disse o comitê.

“Quando chegam aos 14 anos, 52 por cento dos meninos e 32 por cento das meninas estão tomando pelo menos três copos de refrigerante de 250 ml por dia”, afirmou o instituto.